Brasil ultrapassa Portugal em fatalidades per capita

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Após semanas de avisos, ignorados pela presidência, a chaga da Covid-19 mata 4 em cada milhão de brasileiros por dia, ultrapassando a mortalidade em Portugal. Portugal conta pouco para o mundo, mas é curiosamente um dos faróis mais brilhantes para os nossos irmãos brasileiros quando procuram orientação. Isto deveria encher os lusitanos de orgulho, não fosse o facto de que durante a pandemia de Covid-19 essa comparação tenha sido usada para mentir, deturpar e causar mortes. Até há poucos dia, podia-se ver com frequência nas redes sociais, mensagens que comparavam os valores de fatalidades por Covid-19 de alguns países, comparando-os com o do Brasil. O Brasil, com os seus 212 milhões de habitantes tem mantido um nível de fatalidades per capita relativamente baixo, como acontece inicialmente em todos os países com grande população. A demonstração deste efeito viu-se durante a devastação ocorrida em Nova York, onde apesar de ser o local com mais mortes per capita do mundo, ainda hoje tem menos de metade das fatalidades per capita do Reino Unido, ou da Itália. De facto, nesses países com grande população, e apesar de muitas vezes apresentarem milhares de portos por dia, demora bastante tempo até que outros indicadores relativos à …

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As diferenças entre o pico da epidemia no Norte e Lisboa e Vale do Tejo

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Como seria de esperar, com uma segunda vaga de propagação da Covid-19 a ocorrer na região de Lisboa e Vale do Tejo, apareceram nas redes sociais dezenas de indignados sobre porque não se fala agora de uma cerca sanitária a Lisboa, como se falou no Porto, e se fez em Ovar. Ora, uma das características da indignação das redes sociais é precisamente a falta de adesão à realidade dos números. A razão pela qual as notícias estão a aparecer em catadupa, prende-se precisamente pelo facto de que no resto do país a propagação está quase parada. Notem no entanto o quase. Na realidade, se virmos a evolução das infecções por 100 000 habitantes nos municípios com mais casos, pode-se precisamente perceber que os 3 municípios mais afectados mais afectados são todos dos subúrbios de Lisboa, nomeadamente Amadora, Loures e Odivelas, respectivamente. De facto, a grande maioria das novas infecções registadas em Portugal ocorrem nestes três municípios, Sintra e Lisboa. Então porque não se fala em isolamentos? Existe no entanto uma diferença de escala entre o que acontece agora nesses municípios da zona de Lisboa e o que aconteceu no Norte em finais de Março e inícios de Abril. Para começar, …

O contraditório de como abordar a Covid-19: a Suécia

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Este artigo deve começar pela banda sonora, neste caso, Zeca Afonso …. A alegoria da formiga no carreiro parece ser perfeita para descrever o caso sueco e como ele é importante para todo o mundo. Há 3 forma possíveis de abordar a Covid-19: Confinamento e contenção até à chegada da vacina. A abordagem seguida pela maior parte dos países Europeus e Asiáticos mais ou menos desenvolvidos. Contenção ligeira com vista à obtenção de imunidade de grupo seguida pela Suécia. Política zigzaguiante e contraditória dos países liderados por governos populistas ou apenas incompetentes, de países como os Estados Unidos ou o Brasil. Na realidade, temos apenas duas abordagens distintas, já que não ter uma abordagem não pode ser uma abordagem 🙃. Vamos então olhar para a abordagem da Suécia de contenção ligeira: Escolas e universidades abertas Lojas e comércio mantiveram-se abertos Lares e outros centros com pessoas vulneráveis foram isolados da população geral. É neste ponto onde a Suécia manteve um nível elevado de contenção Não são obrigatórias máscaras em lugares públicos nem fechados Esta abordagem, segundo a teoria do Dr. Anders Tegnell, o arquitecto da estratégia sueca, seria mais eficaz manter a sociedade e a economia a funcionar normalmente, bastando apenas …

A primeira semana após o desconfinamento. TOP5 dos municípios com piores resultados: Vila verde, Coimbra, Ovar, Lousada, Amadora

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Passou agora uma semana após o fim do período de confinamento, e entramos agora no “novo normal”. Uma normalidade onde para se evitar um recinto fechado ou transporte público é necessário ter usar uma máscara. Qualquer um que tente entrar numa agência bancária sem uma máscara a tapar a cara é impedido, para dar passagem aqueles que a usam. Portugal, como nos outros restantes países da Europa que ja ultrapassaram a primeira vaga da Covid-19, sai agora da reclusão como se saísse de um bunker depois da detonação de uma bomba nuclear. Lá fora os danos são dignos de uma obra de ficção científica: Nos Estados Unidos e em pouco mais de um mês, o desemprego subiu de menos de 4% para mais de 14%, a subida mais alta alguma vez registada, e o valor mais elevado dos últimos 90 anos. É preciso recuar até à grande depressão para encontrar valores desta magnitude. E ainda não estabilizou. O Reino Unido ainda anda a braços com a primeira vaga, já excedendo os 30 000 mortos A mortes per capita da Suécia sobem inexoravelmente atingindo agora o Top5 na UE, e sexto a nível mundial. Na Coreia do Sul o desconfinamento sofreu o …

Como escolher uma máscara para os próximos 6 meses.

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Dentro de dias vamos começar a perceber o que é o “novo normal”, onde as pessoas não se cumprimentam, não se aproximam, e mal lhes vemos a cara por detrás do novo acessório de moda: a máscara. Infelizmente a moda é trazida pela necessidade e não pela vaidade, e fará parte do nosso novo normal até pelo menos à disponibilidade de uma vacina eficaz. O que nos leva ao tema das máscaras. Em alguns países, como a Áustria e República Checa, o sucesso do combate ao Covid-19 foi em parte atribuído ao uso alargado e imediato de máscaras pela população, mas isso só é possível quando estas existem em quantidades suficientes, o que num país de 10 milhões de habitantes como Portugal, só agora começa a acontecer, e só com o recurso a produção local. De que tipos existem, qual a sua eficácia, protegem o utilizador ou também os outros, quanto custam. Uma coisa é certa: sair à rua agora tem um preço. A boa notícia é que há uma quantidade gigantesca de gente a movimentar-se no sentido de disponibilizar máscaras suficientes para a população, com qualidade certificada e com preços acessíveis. Mas nem todas são assim. Apresentação do CITEVE O CITEVE é …

Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas. Mas estamos preparados?

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  Nunca Sérgio Godinho sonhou que esta sua música pudesse ser levada tanto à letra (for falar nisso, é só carregar em play 😉 ). Mas hoje será literal: 45 dias dias, a vida pode continuar, mas o resto da nossa vida será no “novo normal”. Mas será que estamos em condições para terminar o confinamento ? A nível nacional não existem grandes dúvidas: o número de infecções foi substancialmente reduzido, tendo atingindo um valor médio ligeiramente abaixo do 1% nos dias mais recentes, o que avaliando com os restantes países europeus que não foram martirizados pela pandemia (Austria, República Checa), corresponde ao limitar da abertura da sociedade.Taxa de infeção – média de 5 dias No entanto, temos visto nos últimos dias que o país não é uniforme no que diz respeito à distribuição da infecção. Nos últimos tempos. a taxa de infecção em alguns municípios tem sido muito mais elevada que a média do país. Usando a métrica usual do número de infecções por 100 000 habitantes, a disparidade Norte-Sul é novamente evidente. No gráfico à esquerda, os municípios tão ordenados pela latitude da sede do município, mas limitado aos municípios com mais de 100 infectados.A evolução da infecção em …

Evolução da Covid-19 nos municípios com mais de 100 infecções

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Hoje a DGS anunciou que houve pouco menos de 200 novos casos de Covid-19 a nível nacional. No entanto os números publicados a nível municipal pintam um número muito diferente. Para começar, porque aparentam contar o número de casos activos, e não apenas os novos casos.   Olhando para a evolução dos casos por municípios, os números ficam significativamente diferentes. Para começar, nota-se que existem valores negativos, o que pode ser explicado por se referir ao números de infecções activos, e não totais. Em segundo lugar, nota-se um pico de transmissão em Vila Nova de Gaia, Loures, Matosinhos, Guimarães e Lisboa. No sentido oposto, uma redução significativa no Porto. Esta evolução dá força à opinião de alguns especialistas que a reabertura do país deve ter em conta a localização geográfica, no entanto, isto implicaria que uma quantidade significativa de municípios do norte teriam um atraso na abertura. A gritaria no espaço público seria insuportável…  

É oficial, o COVID-19 é muito mais perigoso que a gripe. A mortalidade em Nova York excede a de Itália.

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Agora já é oficial. Quando virem alguém comparar o Covid-19 à gripe, já podem chamar de ignorante, usar a opção “Ocultar tudo” do Facebook ou simplesmente virar as costas. No passado dia 17 a Bélgica tornou-se no país com maior taxa de mortes per capita por Covid-19. Nessa data atingiu as 42 mortes por cada 100 000 habitantes, ou 0.0042% da população total. Esse número desde então subiu para as 52 mortes ou 0.005% da população total. Este valor é fundamental porque coloca um patamar mínimo na taxa de fatalidade da Covid-19, e podemos e entendê-lo da seguinte forma: se a Bélgica tivesse atingido a imunidade de grupo, este teriam sido as fatalidades necessárias para tal ser atingido. Ora, é obvio que amanhã haverão ainda novas infecções e novas mortes, pelo que sabemos à partida que este valor está errado, mas no entanto marca o valor mínimo, que será actualizado todos os dias. Entra o estado de Nova York. Estado de Nova York regista hoje o trágico registo de 101.2 mortes por 100 000 habitantes, ultrapassando a Bélgica. Este valor é tão mais importante quando comparado com a mortalidade provocava pela gripe em todos os Estados Unidos. Ora, o gráfico é suficientemente explícito …

Não há nenhum problema no Norte. O problema é no Porto. Infecções per capita nos maiores municípios.

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Quando Rui Moreira veio para a praça pública indignar-se sobre a notícia da TVI sobre o número de infecções no Norte, fê-lo como representante do norte. Não que o Norte o tenha nomeado como representante, o que causou grande estranheza junto de outros autarcas do Norte. No entanto, a indignação de Rui Moreira tinha um objectivo particular: desviar a atenção do Porto, e centrar as notícias em toda a zona Norte, diluindo os resultados do distrito do Porto. Se partirmos o problema por município aparece uma imagem que é muito distinta daquela que havia anteriormente.   De facto, se olharmos para a tenção para os dados agregados por município, sobressaem um conjunto muito interessante de detalhes: No top 15 de infecções per capita estão 9 municípios do distrito do Porto 14 dos 18 municípios do distrito do Porto estão no topo dos municípios com maior taxa de infeção A taxa de infecções no Porto é mais que o dobro da de Lisboa É portanto claro que não há um problema no Norte. Havia um problema em alguns municípios do distrito de Aveiro, e um enorme problema no distrito do Porto, onde, aí sim, Rui Moreira tem grande responsabilidade política. Este facto tem sido ignorado, …

Bélgica é desde hoje o país mais afectado pelo COVID-19. O que acontece quando o lockdown não é respeitado

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Alguma coisa correu mal na Bélgica. A Bélgica reconhecidamente reagiu algo tarde à pandemia do Covid-19, e apenas implementou medidas de contenção no dia 18 de Março, quando já havia registado mais de 1000 infecções e 18 mortos. Desde essa data, passaram 29 dias, e as medidas de contenção parecem não estar a funcionar, como se pode verificar no gráfico abaixo:     Após as medidas iniciais, tudo parecia estar a correr com alguma normalidade, em linha com que esteva a acontecer noutros países, como França, Holanda e Reino Unido. Não que as coisas tenham corrido particularmente bem nesses países, mas não estavam ao nível de Espanha ou Itália. As coisas começaram a pender para o pior em torno do dia 9 de Abril (o que tendo em conta o tempo médio entre a infecção e a fatalidade, corresponderam a infecções em torno de 21 de Março) quando os números começaram a disparar. E tal tem acontecido desde então, a um ritmo superior ao da Espanha ou Itália se tivermos em conta a população de cada um dos países, até à meia noite de ontem, onde o número de fatalidades por cada 100 000 habitantes atingiu as 42, excedendo os …