Pestilência, iliteracia ou apenas azar? Algo está a correr mal no Norte e Centro, e a curva está quase plana

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Na última publicação já tinha levantado o tema dos maus resultados que a zona norte estava a apresentar em relação ao resto do país. Na realidade, o problema não é apenas na zona Norte, a zona Centro também está com problemas, e talvez igualmente graves. Vamos ver os gráficos: A zona norte sempre apresentou uma maior taxa de infecções per capita que o resto do país, o que pode ter várias razões. Mas esse não é o problema. O problema é que o Norte continua a subir a taxa de infecções a uma velocidade muito maior que o resto do país (com excepção do Alentejo, mas com valores muito mais baixos). Nos próximos 5 dias, com o avançar do tempo após o período da Páscoa, será natural observar um aumento da taxa de infecções, mas esperemos que episódios como este não voltem a fazer disparar as infecções no Norte. O Norte não está isolado no que diz respeito a problemas: Não só as região do Norte tem mais infecções, como a taxa de fatalidades por habitante excede a de qualquer outra região. Na verdade é três vezes superior à média nacional. No entanto a zona Centro também apresenta um valor que é o …

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O que se passa no norte??? A pandemia por região de Portugal

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Há algum tempo que se notava que existia algo de errado na região norte de Portugal. Os números da pandemia pareciam excessivos quando comparados com as restantes regiões do país. Mas alguns gráficos devem melhorar a perspectiva da coisa. De facto passa-se alguma coisa de errado no norte. A taxa de infecções é mais do dobro de qualquer outra região do país, e o triplo da média nacional. Estes resultados vão contra a lógica característica das evoluções epidémicas: maiores aglomerações populacionais desenvolvem maiores taxas de infeções, e de facto esta regra é visível no resto do país: a região de Lisboa e vale do Tejo apresenta maiores taxas que as restantes regiões, sendo que o valor é mais baixo nas menos densamente populadas, Alentejo e Açores. Este desvio face ao expectável acontece também na taxa de fatalidades. Neste caso o desvio é de duas ordens: Novamente o norte apresenta valores mais elevados, o que é explicável pelo maior número de infecções, mas não o suficiente. De facto, o número de fatalidades por infecção no Norte excede a média. Portanto, não só há mais infecções no norte, como os infectados estão a morrer mais. O centro aparece também com um número …

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Portugal entre os outros países da UE

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Na última publicação choveram críticas e acusações de que os países que estavam a ser comparados estavam a ser escolhidos da dedo. De forma a garantir que esse tema fica encerrado de uma vez por todas, vai agora um gráfico dos resultados de Portugal face aos restantes países da UE e ainda UK e Suíça. Um facto interessante contagem do UK é que os números de fatalidades passadas são diariamente revistos para praticamente o dobro, uma vez que as estatísticas diárias referem-se a fatalidades que ocorreram há mais de 5 dias atrás. Tendo em conta que em Portugal e Espanha a contagem dos mortos é feita num prazo de 24 horas, escapa-me como num país avançado como no UK tal possa não acontecer. Uma imagem vale mais de 1000 palavras. No entanto esta imagem não conta a história toda, pois trata-se de uma imagem estática de algo que está em movimento rápido neste momento, mas isso para para mais abaixo. Aqui podemos ver que Portugal se encontra sensivelmente a meio da tabela. No entanto, esse meio da tabela esconde mais alguns detalhes. Com melhores resultados encontram-se apenas países a este da Alemanha, incluíndo a própria Alemanha. Sabendo que o vírus …

Como está Portugal em relação aos outros países

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Ora, já vimos que Portugal está a achatar a curva de infecção. Esta tendência de achatamento é efectivamente uma constante desde que as medidas de afastamento social e os valores são consistentemente de descida desde o dia 18 de Março. Esta descida é de tal de forma que pode até ser excessiva. Uma das ironias desta pandemia é precisamente o facto de que não é desejável pará-la. Obter o mesmo resultado que a China obteve em Wuhan causa dois problemas: Qualquer contenção da epidemia só pode ser mantida se se cortarem todas as ligações que permitam o trânsito de pessoas. Qualquer falha nesta contenção de um passageiro que não seja imediatamente detectado e que falte à quarentena, permitirá que a infecção grasse novamente descontrolada por uma população não imunizada. Esta contenção terá necessariamente de ser mantida até que haja uma vacina, que pode demorar pelo menos mais 6 meses, embora 12 a 18 meses seja o prazo mais provável. É neste ponto em que a China se encontra, e a razão pela qual está a investir tanto em encontrar uma vacina. Mesmo com a infecção contida, as medidas de afastamento social, e os consequentes efeitos na economia durarão até que …

Um mês depois da primeira infecção, como está o COVID-19 em Portugal?

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A primeira infecção de Covid-19 registada em Portugal foi no dia 2 de Março. Desde dia para cá o país mudou. Mas antes de percebermos como será o país no futuro, é importante percebermos onde estamos. Nesse fatídico dia foi também criado um modelo de previsão de infecções, fatalidades e recuperações, que tinha como base um conjunto de indicadores de outros país, em especial a Coreia do Sul. Este modelo tem sido extremamente fiável em perceber onde estávamos, e onde estamos agora. Este era a previsão feita a 15 de Março tendo com base a tendência até essa data. Com esses valores, teríamos hoje mais de 100 000 infectados, e os hospitais teriam sobrelotados a 23 de Março, numa realidade em tudo similar à espanhola. Foram então tomadas as medidas de isolamento contra o contágio. Como em Portugal os números de infecções sempre foram muito abaixo dos 1000, foi usada uma janela rolante dos valores de forma a alisar valores de pico sem significado real. Os resultados das medidas de isolamento tiveram efeito 5 dias depois de encetadas, exactamente segundo a previsão, e demonstram que a tendência tem sido consistentemente de baixa, sem que as medidas tivessem sido significativamente restritivas. …

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Quanto vale a Autoeuropa para o PIB ? 1% do PIB ? Não, 0.3%.

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Com a greve na Autoeuropa, falou-se que poderia abandonar o país, levando consigo cerca de 1% do PIB e 3% das exportações. Mas qual é a realidade da Autoeuropa? Quanto é que realmente contribui para o país? O valor das exportações está correcto, mas o do PIB está brutalmente inflacionado. A Autoeuropa foi dada como um dos mais importantes polos industriais do país, contribuindo para uma fracção muito significativa das exportações nacionais no ano em que abriu, chegando a ser responsável por 12% de todas as exportações nacionais em 1997. No entanto, nos 20 anos que passaram muita coisa mudou, mas uma pequena mentira subsistiu ao longo dos anos: a contribuição para o PIB. Ainda hoje, se consultarmos a página da Autoeuropa podemos ver a seguinte tabela. Os números publicados pela própria Autoeuropa são então deveras interessantes, e incluem o número de veículos fabricados, bem como o volume de negócios. A partir daqui vamos poder fazer os cálculos necessários. Ora, alguns valores interesantes, e que servirão para enquadrar a Autoeuropa- O preço médio de venda de cada veículo foi de 17.960€. Sendo essencialmente compostos por VW Scirocco e VW Sharan. Se compararmos os preços de venda ao público desses veículos, sem impostos, respectivamente …

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O efeito dos círculos uninominais: Eleições Francesas e Inglesas em 2017

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O sistema eleitoral português como todos os seus defeitos era, em 2015, um dos mais representativos do mundo ocidental. Quando comparado com os resultados das eleições gregas ou inglesas ocorridas em 2015, o sistema portugês consegue que os lugares na assembleia se aproximam com uma margem de erro próximo dos 5% do voto popular. É com esta margem de erro, numa democracia parlamentar que hoje existe um governo que não é formado pelo partido mais votado, mas que mesmo assim consegue representar a vontade popular. 2017 ofereceu-nos uma nova oportunidade de avaliar como os sistemas eleitorais de outros países reproduzem a vontade popular. Eleições legislativas Francesas Para a avaliação das eleições legislativas francesas de 2017 vamos apenas olhar para o voto popular da primeira volta, com os resultados globais obtidos na segunda volta. A razão pela qual e feita esta distinção prende-se com o próprio sistema. No sistema francês, todos os círculos são uninominais, mas o vencedor é apenas decidido quando um dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos, mesmo que para isso seja necessário uma segunda volta com os dois candidatos mais votados. Desta forma, o voto da segunda volta não é representativo da vontade popular, uma vez que …

A evolução sectorial do mercado de emprego 2011-2017

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A que sectores se deve a recente subida do emprego? Deve-se tudo ao turismo? Ou pelo menos qual é o papel do turismo na recuperação do desemprego? Houve outros sectores com ganhos significativos em emprego? Este é o segundo artigo sobre a evolução do mercado de trabalho dos períodos troika e pós-troika. O primeiro versou sobre o emprego que aufere o ordenado mínimo antes e depois de 2015. O INE anunciou recentemente que deixaria de publicar dados sectoriais da evolução do emprego, porque entente que os dados de um mercado tão pequeno como o português não oferece fiabilidade nos números para terem valores estatísticos. Fiáveis ou não (tendo em conta que por exemplo não é possível distinguir o emprego na restauração do emprego da hotelaria), ainda estão disponíveis no Eurostat para consulta, e pode ser usados, tendo em conta a possível falta de fiabilidade. Nos últimos anos, o mercado de trabalho sofreu movimentos violentos, num volume que chegou a atingir cerca de 10% da força de trabalho por conta de outrem (3,8M de pessoas) num período de 5 anos. No entanto, essa variação variou consoante as àreas económicas, quer no seu movimento descendente como no movimento ascendente, e para algumas áreas …

Usar fundações desconhecidas para atirar números

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Há alguns dias, a Sic Notícias divulgou uma notícia muito peculiar, intitulada “Há cada vez mais jovens a sair do país“, cuja fonte seria uma “Fundação Empresarial de Portugal”. Ora, nada nesta notícia parecia normal, ainda sequer sem ouvir a peça: Não existe um jornalista responsável pela notícia Não existe uma “Fundação Empresarial de Portugal” Não existe fonte, nem associação ao estudo citado. Tudo isto cheirava a esturro, e ainda não tenha ouvido a “notícia”. Na notícia ficamos ainda mais esclarecidos, ou não: não são citados números objetivos dos jovens que saem, apenas uma breve menção sobre os “jovens” entre os “30 e os “39” anos com ensino superior que saem de Portugal para irem trabalhar fora. Nada é dito como se comparam esses números com os dos anos anteriores, mas apenas que é feito com base num “inquérito internacional”. Será que foi o segundo ano em que o inquérito é feito para se poder dizer que “há cada vez mais” ? Nada é dito. Fomos procurar essa dita fundação. Como se costuma dizer, se não existe no Google, é porque não existe. Ainda mais estranho é que essa fundação só é encontrada nos sites da Sic, e em alguns sites …

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O défice não foi atingido à conta dos impostos – A evolução das receitas do estado 1995 – 2016

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Um dos temas aquando da discussão do orçamento de estado para 2016 estava relacionado com a carga fiscal total, e em particular se esta se manteria ou subiria, em % do PIB. Agora sabemos como ficou… Para começar, é necessário perceber o que se entende por carga fiscal, que para o INE, significam todas as receitas do estado pagas directamente quer pelas empresas, quer pelos cidadãos individuais. Significa isto que as receitas da Segurança Social, Caixa Geral de Aposentações, Impostos directos e Indirectos, estão incluídos, mas receitas das empresas públicas, das participações e receitas de investimentos, bem como da venda de activos não estão incluídos. Esta distinção é importante para perceber o papel que a Segurança Social tem vindo a ter as últimas décadas no equilíbrio das contas do estado, e no futuro até se poderia mostrar como tem sido crítica na manutenção da dívida pública. Vamos então aos números em bruto, com a distribuição das receitas do estado:

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