Vendas veículos eléctricos de Dezembro e as Contas finais de 2020 – Estagnação das vendas dos eléctricos e um record da electrificação

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Chegando ao fim de um ano tão atípico como o de 2020, é altura fazer as contas ao conjunto do ano. E se foi um ano diferente de todos os outros, em particular na paragem das vendas nos meses de Março e Abril. Mas vamos aos números.

Valores absolutos de vendas por tipo de motorização.
Fonte: ACAP
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O ano começou com vendas fortes até Fevereiro, de tal foram que correspondeu ao mês com maiores vendas em todo o ano. Até que explodiu a Covid-19, o que fez com que as vendas de Abril tenham correspondido a menos de ⅕ das registadas em Fevereiro. Depois do período inicial de confinamento, as vendas só recuperam parcialmente em Julho, altura em que as vendas ultrapassaram as de Janeiro. Nas contas finais do ano, Fevereiro foi indiscutivelmente o mês com maiores vendas, seguido de Julho, com os restantes meses do ano registrado vendas ligeiramente abaixo das de Janeiro.

No entanto, esta quebra de vendas global não se fez sentir em todo o mercado da mesma forma. E mesmo ao longo do ano, face aos lançamentos de novos modelos, a realidade foi-se alterado.

Olhando para o detalhe da evolução no ano, torna-se evidente os diversos efeitos que a pandemia teve nas diversas tipologias de veículos e motorizações. A motorização que maior variação teve durante a pandemia foi a gasolina. Esta motorização é a frequentemente usadas nos modelos de mais baixa gama e mais baixo custo, e em particular associado ao uso privado. Quando a economia entrou em confinamento, também as vendas a privados sofreram uma paragem. Na realidade, as vendas destes veículos só não desceram mais devido ao elevado tempo de entrega de alguns modelos. Mas os altos e baixos dos motores a gasolina não ficaram por aqui. Depois de uma recuperação a meio do mês, as vendas voltaram a cair a pico no último trimestre do ano, mas por outra razão: estes modelos foram sendo substituídos. Com cômputo global, os motores a gasolina passaram da motorização mais usada em 2019, com 49% das vendas, para os 38% no somatório final de 2020.

Já as motorizações a gasóleo tiveram uma evolução igualmente curiosa, mas pelas razões opostas. Exceptuando o comportamento atípico durante os meses de Março de Abril, onde as vendas relativas atingiram valores acima dos 50%, no somatório do ano, não sofreu grandes alterações. Se durante o ano de 2019 os motores a gasóleo representavam 40% da frota de vendas, o valor final de 2020 ficou em 43%. Esta subida é tão mais surpreendente tendo em conta que é conhecida a vontade da União Europeia, e de certa forma da sociedade, em ver os números de vendas destes veículos significativamente reduzidas, devido às suas emissões.

Numa coisa, as medidas tomadas pela União Europeia surtiram efeito: a soma das vendas de todos os motores a combustão interna, somando apenas as motorizações puramente a gasóleo e gasolina, passaram dos 89% em 2019 para os 81% em 2020. Não é uma redução que tenha um reflexo muito significativa no parque automóvel português, mas representa a maior descida desde que existem registos.

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Pode-se até fazer algumas análises de segundo nível sobre estes movimentos. Um dos movimentos observados foi a substituição dos veículos com motores a gasolina por híbridos a gasolina. De facto, esse movimento ocorreu, mas numa escala bastante pequena. As motorizações híbridas passaram de 1.75% em 2019 para 5.75% em 2020, o que sendo uma subida para o triplo, não compensou a descida de 11% nos motores a gasolina. De facto, somando as duas motorizações, passamos de 51% em 2019, para 44% em 2020. Desta forma, aconteça o que acontecer, a venda de gasolina sofrerá uma descida inexorável.

Se à partida se pudesse assumir que a motorização que beneficiasse dos novos benefícios fiscais, essa seria a dos veículos puramente eléctricos. No entanto, e provavelmente devido à recessão provocada pela pandemia, a venda dos veículos eléctricos sofreu uma descida entre 2019 e 2020, passado dos 5.7% para 4.7%.

A única motorização que obteve ganhos consistentes durante todo o ano, foi a dos plug-ins. Esta motorização sofreu subidas todos os meses excepto em Maio, passando dos 2.45% em 2019 para os 6.95%. De facto, foi para esta motorização que os portugueses se movimentaram durante o ano de 2020.

No entanto, para podermos avaliar a electrificação do parque automóvel, devemos olhar para o conjunto. Se somarmos as vendas dos exclusivamente eléctricos e com os plugins, vemos que de uns 8.15% em 2019 até aos 11.7% em 2020. Mesmo assim, devemos olhar para a tendência. Em Dezembro de 2020, esse valor chegou aos 18%, de forma que será de esperar que no ano de 2021 de batam novos recordes.

Vendas absolutas em veículos com motorização eléctrica.
Fonte:ACAP
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O ano de 2020 assistiu ao aparecimento e domínio dos veículos movidos por motores híbridos a gasolina com capacidades de ligação à rede, tendo sido sempre a crescer de Abril até Dezembro, altura que representou a maior categoria das motorizações electrificadas. Esta motorização vendeu em Dezembro mais que todas as restantes juntas. Evolução similar, mas com muito menor escala teve os plugin a gasóleo, que de zero, em Janeiro, e se exceptuarmos o mês de Março, também obteve vendas sempre crescentes. De notar que esta motorização só está disponível na Mercedes e BMW.

Os veículos puramente eléctricos mostraram uma estagnação das vendas, onde a crise económica se fez sentir, impedido que as atingisse o mainstream. Mesmo assim em todos os meses após Agosto, foram registadas vendas crescentes.

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Vendas de veículos eléctricos por marca.
Fonte:ACAP
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No mês de Dezembro assistimos a um típico efeito Tesla tendo sido entregues uma quantidade significativa de veículos desta marca, ultrapassando as vendas do anterior líder, a Renault. De resto, a ordenação dos fabricantes não sofreu alterações significativas, mas com algumas significativas. A Mercedes saltou para o 5º lugar, o que é curioso, visto que ainda mantém um único modelo eléctrico, o EQA. Em sentido oposto estão as marcas alemãs com modelos de gama média e baixa. A Volkswagen ainda não conseguiu fazer com que as vendas do ID.3 constituíssem uma porção significativa das suas vendas totais, tal como no caso da Opel, que actualmente apenas oferece o Corsa eléctrico.

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