O que se passa no norte??? A pandemia por região de Portugal

Há algum tempo que se notava que existia algo de errado na região norte de Portugal. Os números da pandemia pareciam excessivos quando comparados com as restantes regiões do país. Mas alguns gráficos devem melhorar a perspectiva da coisa.

Infecções por 100 000 habitantes da região

De facto passa-se alguma coisa de errado no norte. A taxa de infecções é mais do dobro de qualquer outra região do país, e o triplo da média nacional.

Estes resultados vão contra a lógica característica das evoluções epidémicas: maiores aglomerações populacionais desenvolvem maiores taxas de infeções, e de facto esta regra é visível no resto do país: a região de Lisboa e vale do Tejo apresenta maiores taxas que as restantes regiões, sendo que o valor é mais baixo nas menos densamente populadas, Alentejo e Açores.

Este desvio face ao expectável acontece também na taxa de fatalidades.

Fatalidades por 100 000 habitantes

Neste caso o desvio é de duas ordens:

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  • Novamente o norte apresenta valores mais elevados, o que é explicável pelo maior número de infecções, mas não o suficiente. De facto, o número de fatalidades por infecção no Norte excede a média. Portanto, não só há mais infecções no norte, como os infectados estão a morrer mais.
  • O centro aparece também com um número anormal nas fatalidades. Aqui as fatalidades por infecção excedem o dobro da média nacional.

Será interessante ter acesso aos dados detalhados das fatalidades, para tentar perceber o porquê destes desvios tão significativos, de forma a evitarmos teorizações grotescas sobre a socialização das gentes do norte.

No entanto uma hipótese salta logo à cabeça. Tendo em conta a chuva de notícias sobre infecções e mortes provocadas por Covid-19 em lares, sendo a maioria deles localizados no centro ou na zona norte, será esta uma possível razão para est disparidade dos números.

Se for esse o caso, será ainda mais escabroso e insultuoso para as vítimas e para o país. Todos casos noticiados comungam de um conjunto de características inesperadas:

  • São todos fora da esfera do Estado
  • São todos operados pela Santa Casa da Misericórdia local.
  • Todas as infeções foram provocadas pelo pessoal da instituição

É portanto imperioso perceber o que se passa nestes lares, que são financiados pelo orçamento do Estado, mas onde pelos vistos o Estado não tem capacidade de auditar a qualidade do servido prestado em seu nome, já sem falar que as famílias das vítimas gostariam de ter garantias que os seus familiares não morreram por razões fúteis e facilmente evitáveis como falta de higiene ou simples desleixo.