Quanto vale a Autoeuropa para o PIB ? 1% do PIB ? Não, 0.3%.

Com a greve na Autoeuropa, falou-se que poderia abandonar o país, levando consigo cerca de 1% do PIB e 3% das exportações. Mas qual é a realidade da Autoeuropa? Quanto é que realmente contribui para o país? O valor das exportações está correcto, mas o do PIB está brutalmente inflacionado. A Autoeuropa foi dada como um dos mais importantes polos industriais do país, contribuindo para uma fracção muito significativa das exportações nacionais no ano em que abriu, chegando a ser responsável por 12% de todas as exportações nacionais em 1997. No entanto, nos 20 anos que passaram muita coisa mudou, mas …

O efeito dos círculos uninominais: Eleições Francesas e Inglesas em 2017

O sistema eleitoral português como todos os seus defeitos era, em 2015, um dos mais representativos do mundo ocidental. Quando comparado com os resultados das eleições gregas ou inglesas ocorridas em 2015, o sistema portugês consegue que os lugares na assembleia se aproximam com uma margem de erro próximo dos 5% do voto popular. É com esta margem de erro, numa democracia parlamentar que hoje existe um governo que não é formado pelo partido mais votado, mas que mesmo assim consegue representar a vontade popular. 2017 ofereceu-nos uma nova oportunidade de avaliar como os sistemas eleitorais de outros países reproduzem a …

A evolução sectorial do mercado de emprego 2011-2017

A que sectores se deve a recente subida do emprego? Deve-se tudo ao turismo? Ou pelo menos qual é o papel do turismo na recuperação do desemprego? Houve outros sectores com ganhos significativos em emprego? Este é o segundo artigo sobre a evolução do mercado de trabalho dos períodos troika e pós-troika. O primeiro versou sobre o emprego que aufere o ordenado mínimo antes e depois de 2015. O INE anunciou recentemente que deixaria de publicar dados sectoriais da evolução do emprego, porque entente que os dados de um mercado tão pequeno como o português não oferece fiabilidade nos números para …

Usar fundações desconhecidas para atirar números

Há alguns dias, a Sic Notícias divulgou uma notícia muito peculiar, intitulada “Há cada vez mais jovens a sair do país“, cuja fonte seria uma “Fundação Empresarial de Portugal”. Ora, nada nesta notícia parecia normal, ainda sequer sem ouvir a peça: Não existe um jornalista responsável pela notícia Não existe uma “Fundação Empresarial de Portugal” Não existe fonte, nem associação ao estudo citado. Tudo isto cheirava a esturro, e ainda não tenha ouvido a “notícia”. Na notícia ficamos ainda mais esclarecidos, ou não: não são citados números objetivos dos jovens que saem, apenas uma breve menção sobre os “jovens” entre os …

O défice não foi atingido à conta dos impostos – A evolução das receitas do estado 1995 – 2016

Um dos temas aquando da discussão do orçamento de estado para 2016 estava relacionado com a carga fiscal total, e em particular se esta se manteria ou subiria, em % do PIB. Agora sabemos como ficou… Para começar, é necessário perceber o que se entende por carga fiscal, que para o INE, significam todas as receitas do estado pagas directamente quer pelas empresas, quer pelos cidadãos individuais. Significa isto que as receitas da Segurança Social, Caixa Geral de Aposentações, Impostos directos e Indirectos, estão incluídos, mas receitas das empresas públicas, das participações e receitas de investimentos, bem como da venda …

A falácia do IRC: quanto as empresas do PSI-20 pagam de impostos

A taxa nominal de IRC em Portugal para os anos de 2016 e 2017 é de 21%, no entanto nenhuma empresa paga os 21%, por uma razão ou outra. Como para a maioria dos temas, é necessário usar uma referência, também como na maioria, vamos usar o conjunto das empresas do PSI-20 para analisar qual é o nível da taxação que estas empresas têm. Daqui é ainda necessário notar que o valor total dos impostos pagos não está limitado ao IRC, mas engloba outros tais como a contribuição sobre o sector energético (CESE) ou impostos pagos em países terceiros. Grande parte das …

O défice de 2%: O bom, mau investimento e o emprego.

Os 2% do défice de 2016 continua a causar incómodo em todos os quadrantes: partidos políticos, instituições europeias, entidades independentes e … jornais económicos. E todos por uma boa razão: todos disserem que era “matematicamente impossível”. Depois das previsões falhadas, cada uma dessas entidades começou a percorrer o caminho do purgatório no sentido de provar que as previsões até não estavam erradas, o caminho é que foi diferente. … e até foi, mas não forma como vem sendo a ser descrito. Entre os primeiros a tentar justificar a falha nas previsões encontra-se o Concelho das Finanças Públicas (CFP) e o …

Como o emprego recém-criado se afasta do salário mínimo e da antiga política.

Há algo que incomoda especialmente: usar estatísticas para demonstrar um ponto de vista, mesmo que a contextualização essa estatística suporte precisamente o ponto de vista oposto. Esta técnica é bastante comum em tablóides e comentadores sem escrúpulos, e é uma das possíveis razões para o surgimento do populismo: os problemas são tão por demais evidentes que existem soluções fáceis para os mesmos… Pois este é o caso da última entrevista a Pedro Passos Coelho, como este excerto demonstra (bastam os primeiros 20 segundos): Ora, portanto, segundo Passos Coelho, quando em 2014 existiriam em Portugal menos de 400.000 pessoas a auferirem …

Os portugueses não estavam melhor, mas agora estão, e o país também.

Em Fevereiro de 2014, Luís Montegenro na tentativa de justificar as opções políticas do seu governo disse “A vida das pessoas não está melhor mas a do País está muito melhor“. Poderia tentar focar na capacidade de distinguir o país dos portugueses revela uma capacidade imbatível de contentorizar, faculdade que os portugueses não conseguem atingir, eu incluindo, ou ainda em tentar perceber como poderia o país estar melhor, apesar de, quando comparado com o dia em que o governo iniciou funções, indicadores como a dívida pública, o emprego, a atividade económica ou a confiança dos empresários e consumidores, todos eles …

A maior conquista de Mário Soares: A liberdade de ser insultado na sua morte

O que têm Mário Soares, Cunhal, de Gaulle e Churchill em comum? O ódio das pessoas que lhes devem a liberdade. Já depois de ter ganho a Segunda Grande Guerra, e de ter perdido as eleições do ano da sua vitória, Churchill citou um desconhecido: A democracia é a pior de todas as formas de governo, excepto todas as outras que foram sendo testadas de tempos a tempos. Não se tratou de uma profecia. No final de 1945, nem Churchill nem Roosevelt já ocupavam as cadeiras da liderança dos países que lideraram durante a guerra. Tão depressa foram a força agregadora dos seus povos, como …