Quanto vale a Autoeuropa para o PIB ? 1% do PIB ? Não, 0.3%.

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Spread the love          Com a greve na Autoeuropa, falou-se que poderia abandonar o país, levando consigo cerca de 1% do PIB e 3% das exportações. Mas qual é a realidade da Autoeuropa? Quanto é que realmente contribui para o país? O valor das exportações está correcto, mas o do PIB está brutalmente inflacionado. A Autoeuropa foi dada como um dos mais importantes polos industriais do país, contribuindo para uma fracção muito significativa das exportações nacionais no ano em que abriu, chegando a ser responsável por 12% de todas as exportações nacionais em 1997. No entanto, nos 20 anos que passaram muita coisa mudou, mas uma pequena mentira subsistiu ao longo dos anos: a contribuição para o PIB. Ainda hoje, se consultarmos a página da Autoeuropa podemos ver a seguinte tabela. Os números publicados pela própria Autoeuropa são então deveras interessantes, e incluem o número de veículos fabricados, bem como o volume de negócios. A partir daqui vamos poder fazer os cálculos necessários. Ora, alguns valores interesantes, e que servirão para enquadrar a Autoeuropa- O preço médio de venda de cada veículo foi de 17.960€. Sendo essencialmente compostos por VW Scirocco e VW Sharan. Se compararmos os preços de venda ao público desses veículos, sem …

Usar fundações desconhecidas para atirar números

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Spread the love          Há alguns dias, a Sic Notícias divulgou uma notícia muito peculiar, intitulada “Há cada vez mais jovens a sair do país“, cuja fonte seria uma “Fundação Empresarial de Portugal”. Ora, nada nesta notícia parecia normal, ainda sequer sem ouvir a peça: Não existe um jornalista responsável pela notícia Não existe uma “Fundação Empresarial de Portugal” Não existe fonte, nem associação ao estudo citado. Tudo isto cheirava a esturro, e ainda não tenha ouvido a “notícia”. Na notícia ficamos ainda mais esclarecidos, ou não: não são citados números objetivos dos jovens que saem, apenas uma breve menção sobre os “jovens” entre os “30 e os “39” anos com ensino superior que saem de Portugal para irem trabalhar fora. Nada é dito como se comparam esses números com os dos anos anteriores, mas apenas que é feito com base num “inquérito internacional”. Será que foi o segundo ano em que o inquérito é feito para se poder dizer que “há cada vez mais” ? Nada é dito. Fomos procurar essa dita fundação. Como se costuma dizer, se não existe no Google, é porque não existe. Ainda mais estranho é que essa fundação só é encontrada nos sites da Sic, e em …

Aviões, Mentiras e a TAP – Como David Neeleman Poupa 3500 Milhões à custa da TAP

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Spread the love          Muito tem sido escrito sobre a TAP nos últimos anos, tipicamente em questões puramente laterais e frívolas, quando se chega aos temas realmente importantes, é o maior silêncio e desinformação na comunicação social. A título de exemplo, “CDS acusa Governo de ter omitido eventual entrada de capital chinês na TAP”. Ora, esta notícia, é de 14 de Fevereiro, e é estranho que na notícia que relata a estranheza sobre o capital chinês, ninguém foi capaz de comentar o facto de que tal aconteceu na realidade a 24 de Novembro, quando a HNA comprou 24% da Azul. Na realidade, a entrada de capital chinês na TAP foi precisamente nessa data, e anterior à renegociação da venda da TAP… Sobre a venda em si, na sua versão de 12 de Novembro, ainda nada foi tornado público. A venda da TAP foi uma das ações mais polémicas do anterior governo, não pelo objeto ou método da venda, mas pelo momento em que foi efetuada. No entanto, o objeto da venda, que hoje ainda não é pública (apesar das críticas feitas pelo PSD sobre a falta de informação sobre as alterações efetuadas pelo governo atual…..), sobressaem alguns detalhes que vêem aparecendo na comunicação …

Comunicação social no seu pior: Carlos Costa vai nú

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Spread the love          O destaque das notícias dos últimos dias tem sido um comentário de António Costa sobre o governador relativamente à falta de competência do mesmo na liderança do Banco de Portugal. Estes comentários foram então severamente criticados por um exército de  comentadores, segundo os quais António Costa coloca em causa a independência, competência e coloca em causa a estabilidade do setor bancário. No entanto, precisamos de analisar cada um destes pontos. A independência de Carlos Costa Ora, vamos de imediato para a resolução do BES. Na conferência de imprensa onde é anunciada a resolução do BES, é focado o seguinte ponto:  “Não envolve, por isso, custos para os contribuintes”. Esta frase é repetida até à exaustão, quer por Carlos Costa, quer pelos membros do governo da época. Hoje sabemos que tal não corresponde à verdade, mas ainda hoje está presente nas FAQs do Banco de Portugal. Este é um tema que não diz respeito ao Banco de Portugal, mas sempre foi um cavalo de batalha da propaganda do governo. Este alinhamento foi na realidade inaugurado três dias antes da data oficial da resolução do BES, no célebre concelho de ministros electrónico onde foi criada a legislação necessária para a resolução. …

Comunicação social no seu pior: os concelhos do Costa segundo o Jornal de Negócios

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Spread the love          Quando lemos um jornal e damos de caras com uma notícia cujo o autor é o director da publicação, temos tendência a dar-lhe mais importância, já que estamos a falar do seu nome mais relevante. Pessoalmente, vejo o director de uma publicação como o bastião da integridade e objetividade, alguém que garante que eventuais lapsos dos colegas jornalistas sejam detetados antes de chegarem aos olhos dos leitores. O problema ocorre quando se verifica o contrário: é o diretor da publicação que lidera o enviesamento e a falta de objetividade, factores determinantes do código deontológico do jornalista, e objectivamente leva a publicação por um caminho onde deixa de informar para seguir uma determinada doutrina política ou financeira. Para o caso de hoje temos uma notícia (não um artigo de opinião) do Jornal de Negócios sobre algo que António Costa disse sobre o orçamento de estado para 2016. Parafraseando, António Costa recomendou ao portugueses que se não quiserem custear o aumento de impostos presentes no orçamento de 2016, deviam deixar de fumar e andar mais de transportes públicos. A estas palavras seguiu-se um furor nas redes sociais, furor tal que não se tinha visto nem quando Passos Coelho recomendou aos …

Comunicação social no seu pior: como 0.0076% passam a 4%

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Spread the love          Se ontem a notícia focou no impacto no trânsito da tolerância de ponto na função pública, hoje a SIC presenteia-nos com algo bem mais palpável, e logo bem mais preocupante. O caso em concreto versa sobre o aumento da taxa de imposto de selo nas transações com terminais de pagamento automático. … onde são entrevistados um conjunto de comerciantes que descrevem com já estão em dificuldades financeiras, e que portando já não consegue suportar mais encargos, caso os bancos façam transpirar essa taxa os comerciantes. Não importa para hoje tentar explicar que provavelmente alguns desses comerciantes ficaram bem mais a ganhar com a redução do IVA da restauração (algo liminarmente ignorado pelo jornalista) nem o facto que é possível (mas não indiscutivelmente demonstrado) que a falta de vendas dos comerciantes se deve em grande parte à completa falta de poder de compra dos portugueses. O que importa para hoje é perceber quanto é que um comerciante paga atualmente pelo uso dos cartões de débito e crédito, e quanto passaria a pagar se essa taxa de 4% lhe for passada. Indo por partes: No que incide a nova taxa de 4%? Citando a proposta de orçamento de estado: Outras …

Comunicação social no seu pior: Como a tolerância de ponto num dia reduz o trânsito noutro, segundo SIC.

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Spread the love          Nota do autor: sou contra a tolerância de ponto, mas sou ainda mais contra a falta de idoneidade da comunicação social. Aqui há uns meses coloquei em causa a idoneidade da comunicação social em Portugal, na sua incompetência em ser imparcial, objectiva e ter como principal propósito informar. Desde há uns dias que essa mesma comunicação social decidiu fazer-nos o favor de demonstrar que estava totalmente certo. Ora a notícia que levou a SIC a usar cerca de 5 minutos de jornal da tarde foi “Menos movimentos em Lisboa devido à tolerância de ponto”. Ora, estava eu à espera de números interessantes do IMTT sobre como o Carnaval reduz o trânsito nas estradas, ou como a atividade económica é reduzida nesta altura. Mas nada disto. A notícia versava de como o facto de que dar tolerância de ponto a uma terça-feira (como é o hábito no Carnaval) ter provocado com que o transito tivesse reduzido em Lisboa e em particular para alguns entrevistados relevantes para o tema: donos de cafés e taxistas. Ora se já começaram a ver quão estúpido isto é, vai aqui um apanhado de perspectivas diferentes sobre a estupidez: A notícia foi dada no dia 8 …