O contraditório de como abordar a Covid-19: a Suécia

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Spread the love38    5     Este artigo deve começar pela banda sonora, neste caso, Zeca Afonso …. A alegoria da formiga no carreiro parece ser perfeita para descrever o caso sueco e como ele é importante para todo o mundo. Há 3 forma possíveis de abordar a Covid-19: Confinamento e contenção até à chegada da vacina. A abordagem seguida pela maior parte dos países Europeus e Asiáticos mais ou menos desenvolvidos. Contenção ligeira com vista à obtenção de imunidade de grupo seguida pela Suécia. Política zigzaguiante e contraditória dos países liderados por governos populistas ou apenas incompetentes, de países como os Estados Unidos ou o Brasil. Na realidade, temos apenas duas abordagens distintas, já que não ter uma abordagem não pode ser uma abordagem 🙃. Vamos então olhar para a abordagem da Suécia de contenção ligeira: Escolas e universidades abertas Lojas e comércio mantiveram-se abertos Lares e outros centros com pessoas vulneráveis foram isolados da população geral. É neste ponto onde a Suécia manteve um nível elevado de contenção Não são obrigatórias máscaras em lugares públicos nem fechados Esta abordagem, segundo a teoria do Dr. Anders Tegnell, o arquitecto da estratégia sueca, seria mais eficaz manter a sociedade e a economia a funcionar …

Usar fundações desconhecidas para atirar números

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Spread the love          Há alguns dias, a Sic Notícias divulgou uma notícia muito peculiar, intitulada “Há cada vez mais jovens a sair do país“, cuja fonte seria uma “Fundação Empresarial de Portugal”. Ora, nada nesta notícia parecia normal, ainda sequer sem ouvir a peça: Não existe um jornalista responsável pela notícia Não existe uma “Fundação Empresarial de Portugal” Não existe fonte, nem associação ao estudo citado. Tudo isto cheirava a esturro, e ainda não tenha ouvido a “notícia”. Na notícia ficamos ainda mais esclarecidos, ou não: não são citados números objetivos dos jovens que saem, apenas uma breve menção sobre os “jovens” entre os “30 e os “39” anos com ensino superior que saem de Portugal para irem trabalhar fora. Nada é dito como se comparam esses números com os dos anos anteriores, mas apenas que é feito com base num “inquérito internacional”. Será que foi o segundo ano em que o inquérito é feito para se poder dizer que “há cada vez mais” ? Nada é dito. Fomos procurar essa dita fundação. Como se costuma dizer, se não existe no Google, é porque não existe. Ainda mais estranho é que essa fundação só é encontrada nos sites da Sic, e em …

O défice de 2%: O bom, mau investimento e o emprego.

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Spread the love          Os 2% do défice de 2016 continua a causar incómodo em todos os quadrantes: partidos políticos, instituições europeias, entidades independentes e … jornais económicos. E todos por uma boa razão: todos disserem que era “matematicamente impossível”. Depois das previsões falhadas, cada uma dessas entidades começou a percorrer o caminho do purgatório no sentido de provar que as previsões até não estavam erradas, o caminho é que foi diferente. … e até foi, mas não forma como vem sendo a ser descrito. Entre os primeiros a tentar justificar a falha nas previsões encontra-se o Concelho das Finanças Públicas (CFP) e o Jornal de Negócios, embora percorrendo caminhos diferentes. Para o Jornal de Negócios, o valor do défice têm diversas justificações, como se pode ver no diagrama publicado: Neste diagrama, o comum leitor pode facilmente chegar à conclusão que este défice foi atingido pela redução das “Despesas de capital” de 7.701 M€ para 3.726 M€, sendo que no texto abaixo apenas é referido que o investimento público é reduzido em “perto de mil milhões de euros”. De notar que dentro da rubrica “Despesas de Capital” de 2015 inclui a medida de resolução do BANIF, no valor de 2.463 M€, o …

Como o emprego recém-criado se afasta do salário mínimo e da antiga política.

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Spread the love          Há algo que incomoda especialmente: usar estatísticas para demonstrar um ponto de vista, mesmo que a contextualização essa estatística suporte precisamente o ponto de vista oposto. Esta técnica é bastante comum em tablóides e comentadores sem escrúpulos, e é uma das possíveis razões para o surgimento do populismo: os problemas são tão por demais evidentes que existem soluções fáceis para os mesmos… Pois este é o caso da última entrevista a Pedro Passos Coelho, como este excerto demonstra (bastam os primeiros 20 segundos): Ora, portanto, segundo Passos Coelho, quando em 2014 existiriam em Portugal menos de 400.000 pessoas a auferirem o ordenado mínimo, e neste momento seriam quase 1.000.000. Ora vamos primeiros às estatísticas em si, segundo a Pordata: Evolução do número de trabalhadores que recebem o ordenado mínimo Segundo os números disponíveis na Pordata, com base em estatísticas publicadas pelo Ministério do Trabalho, o número de trabalhadores que recebem o ordenado mínimo duplicou entre 2006 e 2012, fixando-se em 457 mil. No entanto, o valor citado por Passos Coelho refere-se ao último ano completo do XIX governo: 2014. Nesse ano, o número de trabalhares com o ordenado mínimo já atingiu os 707 mil trabalhadores, e não os …

Os portugueses não estavam melhor, mas agora estão, e o país também.

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Spread the love          Em Fevereiro de 2014, Luís Montegenro na tentativa de justificar as opções políticas do seu governo disse “A vida das pessoas não está melhor mas a do País está muito melhor“. Poderia tentar focar na capacidade de distinguir o país dos portugueses revela uma capacidade imbatível de contentorizar, faculdade que os portugueses não conseguem atingir, eu incluindo, ou ainda em tentar perceber como poderia o país estar melhor, apesar de, quando comparado com o dia em que o governo iniciou funções, indicadores como a dívida pública, o emprego, a atividade económica ou a confiança dos empresários e consumidores, todos eles estavam em muito pior estado. O PIB também, mas os erros de cálculo do PIB é provavelmente uma das causas da crise, nomeadamente dar cobertura a monstruosidades como a frase de Luís Montenegro. Ora, as estatísticas mesmo quando correctamente calculadas, podem ser a justificação para vis mentiras, bastando para tal que sejam descontextualizadas. Quando mal calculadas, são criminosas, na sua capacidade de enganar o eleitorado, mesmo o eleitorado informado, essa espécie em vias de extinção. Como medir como vivem as pessoas: Rendimento Disponível Ajustado Aquele que é para mim o melhor indicador sobre a saúde económica de um país …