O efeito dos círculos uninominais: Eleições Francesas e Inglesas em 2017

Eleições gerais inglesas de 2017

O sistema eleitoral inglês é semelhante ao francês, usando círculos uninominais, no entanto apenas existe uma volta, sendo que o candidato que receber mais votos nessa volta é automaticamente eleito. No entanto, existe bastante menos partidos a concorrer aos lugares disponíveis, sendo que apenas três partidos concorreram a nível nacional, sendo que nos seis partidos mais votados, três são partidos que apenas concorrem a nível regional.

Comparação entre o voto popular e os lugares obtidos na casa dos comuns.

Curiosamente, quando existem dois partidos com grande votação, não existe um grande desvio entre o voto popular os resultados na câmara. De facto, o Partido Conservador apresenta uma diferença de 6% entre o voto popular e o número de representantes. Este valor é ainda mais reduzido no caso do Partido Trabalhista, onde a diferença é de apenas 0.3%. No entanto, este aparente alinhamento dos resultados parece dar-se exclusivamente decido à grande polarização destas eleições em volta dos dois partidos. Já para os partidos que ficaram em 3º e 4º lugar em termos de representantes eleitos, respectivamente o SNP e o Partido Liberal os resultados são bastante mais díspares, a começar pela inversão das posições: o Partido Liberal obteve praticamente o triplo dos votos do SNP, mas obteve apenas menos de um terço dos lugares. Este efeito é bastante mais visível no próximo gráfico.

Nestas eleições podem-se colocar os partidos em 3 categorias:

  • Os partidos com grande representação ao nível nacional: Conservadores e Trabalhistas
  • Os partidos com grande representação local: SNP, DUP e Sinn Féin
  • Os partidos com pouca representação nacional e local: o Partido liberal.

Esta diferenciação tem impactos significativos nos resultados: no sistema inglês, só obtendo bons resultados no voto popular ao nível nacional ou regional é que se podem obter representantes com o mesmo nível de representação.

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Desta forma, e como seria de esperar em sistemas uninominais, os partidos com grande voto popular ao nível regional, necessitam de menos votos para eleger cada representante, ao passo que os partidos de âmbito nacional, mas pouca penetração necessitam de 9x mais votos para eleger cada representante.

Conclusão

Os problemas de representatividade e proporcionalidade em sistemas uninominais estão sempre presentes, quer o sistema seja baseado em uma ou duas voltas. Em ambos os casos, estes sistemas beneficiam os partidos com grandes implantações ao nível nacional ou regional, mas prejudicam todos os partidos que não tenham concentração do seu voto.

Este efeito pode ser tão significativo que pode fazer com que um partido possa ter uma representação quase 10x inferior ao seu voto popular, enquanto que os partidos com maior votação conseguem obter maiorias muito significativas, mesmos quando o seu voto popular apenas se aproxima dos 40%.

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