Como está Portugal em relação aos outros países
Ora, já vimos que Portugal está a achatar a curva de infecção. Esta tendência de achatamento é efectivamente uma constante desde que as medidas de afastamento social e os valores são consistentemente de descida desde o dia 18 de Março. Esta descida é de tal de forma que pode até ser excessiva.
Uma das ironias desta pandemia é precisamente o facto de que não é desejável pará-la. Obter o mesmo resultado que a China obteve em Wuhan causa dois problemas:
- Qualquer contenção da epidemia só pode ser mantida se se cortarem todas as ligações que permitam o trânsito de pessoas. Qualquer falha nesta contenção de um passageiro que não seja imediatamente detectado e que falte à quarentena, permitirá que a infecção grasse novamente descontrolada por uma população não imunizada. Esta contenção terá necessariamente de ser mantida até que haja uma vacina, que pode demorar pelo menos mais 6 meses, embora 12 a 18 meses seja o prazo mais provável. É neste ponto em que a China se encontra, e a razão pela qual está a investir tanto em encontrar uma vacina.
- Mesmo com a infecção contida, as medidas de afastamento social, e os consequentes efeitos na economia durarão até que a população esteja imunizada. Numa europa intrinsecamente ligada, os efeitos na economia, seriam desastrosos e duradouros.
Isto significa que é desejável manter um nível muito baixo de infecção a um valor que seja sempre comportável pelo sistema de saúde. Sobre a forma como se atinge este valor, e o que significa fica para outra altura.
Podemos agora comparar a evolução da infecção dos vários países. É importante notar que tem sido frequentemente veiculado um conjunto errado de dados e gráficos, pois a grande maioria deles não tem em conta a população total do país em causa. 100 000 infecções em Portugal, não têm o mesmo efeito que 100 000 infecções em Espanha, um país com quase 5 vezes maior população.
Desta forma, se olharmos para a taxa de fatalidades pela população, de onde sobressaem 2 grupos. Na verdade 3, mas ao 3º iremos mais tarde:
- Italia e Espanha – Os países onde a infecção se tornou descontrolada. Neste caso, vemos que apesar de Espanha ter menos 2000 mortos que Italia, o impacto na população é praticamente igual, e dentro um ou dois dias deverá ultrapassar a Itália. Nestes países, a taxa de fatalidade excede os 25 mortos por 100 000 habitantes, ou uma taxa global de 0.025% da população total, o que em Portugal equivaleria a 2650 mortos.
- Os outros países observados todos tê menos de 12 mortos por cada 100 000 habitantes, mas mesmo aqui nem todos são iguais. Se olharmos apenas para esse grupo, saem mais umas conclusões interessantes
Retirando a Itália e a Espanha, outras imagens aparecem:
- A subida estonteante da França, que numa questão de dias ultrapassou a Holanda.
- Um grupo de 3 países: França, Holanda e Reino Unido. Estes têm países têm uma coisa em comum: todos adiaram a tomada de medidas que reduzissem a transmissão. Em França, o governo recusou-se a adiar as eleições municipais. A Holanda e Reino Unido tiverem como ideia original permitir que a pandemia avançasse rapidamente, de forma criar imunidade, ao mesmo tempo que tentavam proteger as populações mais vulneráveis. Ambos os países entretanto mudaram de rumo, mas os efeitos são agora visíveis.
- A Suécia, está ligeiramente abaixo dos 3 países que se arrependeram da estratégia de imunidade de grupo, e é o último país que está activamente a seguir essa estratégia.
- Finalmente, temos Portugal, Alemanha e Estados Unidos. Aqui os Estados Unidos estão apenas temporariamente e precisamente devido à grande população. Dentro em breve irão sair deste grupo. Restando a Alemanha e Portugal. Neste caso, a Alemanha tem ainda a vantagem da maior população, mas de resto demostra-se que Portugal se tem portando decentemente.



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