Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas. Mas estamos preparados?

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Nunca Sérgio Godinho sonhou que esta sua música pudesse ser levada tanto à letra (for falar nisso, é só carregar em play 😉 ). Mas hoje será literal: 45 dias dias, a vida pode continuar, mas o resto da nossa vida será no “novo normal”. Mas será que estamos em condições para terminar o confinamento ? A nível nacional não existem grandes dúvidas: o número de infecções foi substancialmente reduzido, tendo atingindo um valor médio ligeiramente abaixo do 1% nos dias mais recentes, o que avaliando com os restantes países europeus que não foram martirizados pela pandemia (Austria, República Checa), corresponde ao limitar da abertura da sociedade.Taxa de infeção – média de 5 dias

Variação do número de infecções por cada 100 000 habitantes. Ordenado pela latitude da sede de município.

No entanto, temos visto nos últimos dias que o país não é uniforme no que diz respeito à distribuição da infecção. Nos últimos tempos. a taxa de infecção em alguns municípios tem sido muito mais elevada que a média do país.

Usando a métrica usual do número de infecções por 100 000 habitantes, a disparidade Norte-Sul é novamente evidente. No gráfico à esquerda, os municípios tão ordenados pela latitude da sede do município, mas limitado aos municípios com mais de 100 infectados.A evolução da infecção em alguns municípios em torno do Porto é alarmante, nomeadamente, Felgueiras, Lousada e Matosinhos, onde a taxa de propagação excede os 0.1% da população total por semana. Este valor valor é ainda mais estranho quando os municípios com maiores densidades populacionais não mostram esse crescimento, como é o caso do Porto, ou Lisboa.

É ainda de notar que dos 36 municípios com mais de 100 casos, 27 são a norte de Coimbra e nenhum se encontra a sul de Setubal.

Com a abertura dos vários sectores económicos, são estes os municípios que estarão mais vulneráveis a novos focos de infecção, e por consequente, ao risco da infecção se tornar novamente fora de controle. A estes casos não restará ao governo a aplicação de novas cercas sanitárias, ou voltar atrás nas medidas de abertura.

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A partir de hoje, as conferências de imprensa da Ministra da Saúde e da Directora da Direção Geral de Saúde terão mais share (e importância) que a meteorologia que dava a seguir ao telejornal dos anos 80. Será neste momento diário que se poderá verificar como a propagação está a correr, e como as pessoas terão de se comportar no dia seguinte. Tendo em conta o gráfico acima, o risco de ter de se voltar a fechar municípios no norte, como aconteceu em Ovar, é no mínimo elevado.

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