Portugal em contra-ciclo na semana em que o Reino Unido adicionou Portugal à lista de destinos seguros

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Média dos 14 dias anteriores de infecções por COVID-19 por 100 000 habitantes
Fonte dos Dados: European Center for Disease Control and Prevention

A notícia mais relevante da última semana é a colocação de Portugal na lista de destinos seguros do Reino Unido. Esta colocação acontece ao mesmo tempo que outros destinos de férias Europeus, como a Croácia, foram excluídos. Mesmos os último destino alternativo de férias para os ingleses, a Grécia, está a apresentar números muito preocupantes de novas infecções, numa subida consistente como se pode verificar no gráfico.

Este comportamento de subida é comum na grande maioria dos países Europeus, destacando alguns que até agora tinham conseguido evitar grandes efeitos da pandemia, como a Bósnia, República Checa ou a Roménia.

Mesmo alguns países con valores historicamente baixos de infecções, apresentam agora subidas significantivas e consistentes, embora ainda com valores absolutos baixos, como Áustria, Dinamarca ou Islândia.

Totalmente em contra-ciclo está Portugal, onde a tendência das últimas 4 semanas é de estabilidade, que se sucede a outras 4 semanas de descida significativa. Será extremamente interessante ver o comportamento nas próximas 3 a 4 semanas, uma vez que o calendário escolar em toda a Europa tende a começar nesse período. Em países onde um novo pico estará a ocorrer, como deverá ser o caso de Espanha, será de grande interesse verificar se novos confinamentos irão ocorrer.

Agora resta esperar que esta tendência se mantenha nas próximas semanas, algo que vai ser difícil, uma vez que as fronteiras estão abertas e muitos dos países que registam subidas são também alguns de ontem vêm mais turistas.

Novas infecções por 100 000 habitantes por CCDR.
Fonte: DGS
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Uma das razões pelas quais os valores de infecções estabilizaram prende-se com o facto de que a região de Lisboa e Vale do Tejo também estabilizou. Muito embora ainda seja a região com maior número de infecções, a distância para as restantes já não atinge os níveis atingidos em Julho. Em sentido contrário está praticamente o todo o restante país, onde regiões onde a transmissão tinha praticamente parado, mostram agora uma tendência de subida, e em especial, a região Norte. De notar que o Algarve e as ilhas, onde a transmissão estava praticamente parada, mostram agora números crescentes.

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Fatalidades por 100 000 habitantes por CCDR.
Fonte: DGS
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Um outro aspecto que também se mantém constante, é a tendência de subida das fatalidades da região de Lisboa e Vale do Tejo. No entanto, e apesar da subida, e de ter registado maior número de infectados, mantém um número de fatalidades per capita ainda bem abaixo da região Norte.

Esta diferença deve-se essencialmente à diferença da natureza das infecções que estão a ocorrer na região: pessoas em idade activa. Estes pacientes têm uma taxa de fatalidade muito inferior à dos idosos, ao passo que na região Norte, foram os lares os grandes afligidos pela primeira vaga.

Novas infecções por município com mais de 100 casos registados
Fonte: DGS
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Numa perspectiva mais microscópica, pode-se notar mais claramente que os novos casos ocorrem de duas formas: surtos localizados e limitados a concelhos, e uma dispersão de casos pontuais, mas sem pontos focais. Nestes, os casos da Vila do Conde e Póvoa do Varzim estão associados a um foco centrado no porto de pesca, no Barreiro a um Lar, e em Vila França de Xira em torno do hospital.

De notar que com a chegada a época balnear, alguns municípios do Algarve começam a aparecer agora na tabela, nomeadamente, Loulé, Portimão e Faro.

Nos restantes municípios, o número de casos é de tal forma baixo, que, e como refere a DGS, a transmissão faz-se agora essencialmente no seio familiar, não dando azo a transmissão para fora desse meio.

Infecções activas por 100 000 habitantes nos municípios com mais de 100 casos registados.
Fonte dos dados: DGS, Estimativas próprias.

Com a descida dos casos na região de Lisboa e Vale do Tejo, os municípios com maior número de casos activos também se moveu. Está agora localizado para mais longe dos grandes centros urbanos e mais para o Norte, com Vila de Conde e Póvoa do Varzim a liderarem. No entanto, isto não significa que as região de Lisboa deixe de ser preocupante. Os municípios de Torres Vedras, Mafra, Odivelas e Amadora ainda apresentam valores muito significativas de infecções activas.

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