Quando a segunda vaga começa a tomar forma na Europa, Portugal combate focos, agora no Norte

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Média dos 7 dias anteriores da propagação de Covid-19 na Europa, excluindo Rússia.
Fonte: European Center for Disease Control and Prevention
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Uma das notícias mais peculiares da passada semana, foi a falta de uma notícia, ou o facto de que o Reuno Unido não retirou Portugal da lista de destinos “seguros”. De facto, olhando para os números portugueses, Portugal deveria ter saído dessa lista, pois ultrapassava o limite de 20 infecções por 100 000 habitantes imposto pelo Reino Unido. Entretanto, a realidade impôs-se. Todos os restantes destinos de férias dos ingleses são são agora muito mais problemáticos, como Espanha, ou os números não são confiáveis, como o caso grego. Em particular, o facto de terem começado a regressar viajantes ao reino unido infectados na Grécia, veio manchar a imagem do país, de tal forma que a Escócia colocou a Grécia na lista de destinos não seguros (como aliás fez com Portugal).

Começa a ser uma notícia repetitiva semana após semana, mas a incómoda verdade é que a segunda vaga da COVID-19 está a chegar em cheio à Europa, e o seu ritmo está longe de abrandar. Mais uma vez, na passada semana foi batido o recorde de casos desde Abril, e é provável de até Novembro não começe a abrandar.

Média dos 14 dias anteriores da propagação de Covid-19 em alguns países Europeus
Fonte: European Center for Disease Control and Prevention
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De notar que em alguns países como a Alemanha ou os países nórdicos, as aulas já começaram. Não que as aulas em si pareçam ser um factor de propagação da doença (este tema será debatido noutro dia), mas o facto que as aulas promovem a mobilidade dos pais, ou da população em geral, sugere que a velocidade da propagação se manterá elevada nas próximas semanas.

A outra razão da não medida do Reino Unido, é que o número de casos também está a começar a disparar dentro de portas.

A razão fundamental para esta subida assenta em três factores distintos, mas de certa forma relacionados:

  • o regresso das pessoas ao local de trabalho, após o período típico de férias na Europa, juntamente com algum relaxamento ou cansaço das pessoas face às medidas de prevenção da doença;
  • a dispersão do crescimento por toda a Europa. A grande maioria dos países Europeus está neste momento a sentir uma subida muito acentuada, fazendo com que o movimento de subida seja de difícil contenção
  • a dispersão ao nível local da progressão da doença. Não é apenas ao nível Europeu que a doença se está agora a propagar, mas ao nível local assiste-se ao mesmo efeito. Em Portugal, Espanha e Reino Unido, os focos da doença saíram dos grandes centos populacionais, e estão agora distribuídos por uma área geográfica muito mais dispersa, com muitos focos localizados.

Adicionalmente, a progressão da pandemia está a atingir recordes em países que não foram grandemente atingidos pela primeira vaga, nomeadamente países como a Áustria, Bósnia, Croácia, República Checa, e em particular a Roménia, onde a média de fatalidades diária tem rondado as 40.

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Infecções por 100 000 habitantes nos países da EU-27
Fonte: European Center for Disease Control and Prevention
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Se até meados de Agosto a progressão da pandemia em Portugal excedia a média europeia, tal deixou de ser o caso desde então. De facto, e embora se verifique uma subida nas últimas semanas, esta tem sido abaixo da verificada na Europa, estando a distancia entre e Europa e Portugal a aumentar.

Uma das razões pela qual o valor médio Europeu apresenta subidas tão expressivas, é a subida em países Europeus com grande população, nomeadamente Espanha e França (os países com os 2 valores recentes mais elevados), sendo que os restantes países têm contribuições mais modestas para o indicador.

Portugal em maior detalhe

Taxa de novas infecções por 100 000 ao nível regional e nacional
Fonte: Direcção Geral de Saúde
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Em Portugal, há 5 semanas consecutivas que os números não param de aumentar. Desde 8 de Agosto, onde se atingiu o valor mais baixo desde o início da pandemia (11 infecções por 100 000 habitantes), até às 22 infecções por 100 000 habitantes da semana passada, a subida tem sido constante, e é agora mais repartida pelo país. A região de Lisboa e Vale do Tejo continua com os números mais elevados, mas está agora a par com a região norte.

No entanto, estes valores escondem alguns detalhes, que aparecem quando se amplia a granularidade.

Taxa de novas infecções por 100 000 nos municípios com maior taxa de propagação
Fonte: Direcção Geral de Saúde
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Como já se tinha verificado na semana passada, os focos encontram-se agora muito mais espalhados pelo país, e concentrados em locais específicos, com populações muito mais baixas. Por outro lado, a propagação voltou a verificar-se agora no Norte com maior intensidade, mas não necessariamente na zona metropolitana do Porto.

Todos os 5 municípios com maior taxa de propagação estão agora na região Norte, em particular Arouca e Lousada, com valores extremamente altos, e em municípios com uma população bastante significativa: Guimarães, Famalicão e Passos de Ferreira.

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Os primeiros municípios da região de Lisboa e Vale do Tejo, começam na 8º posição, com Sintra, Amadora e Vila Franca de Xira, e depois começa a longa lista de município com novos casos registados.

Um dos dados mais importantes da última semana, é o número de municípios onde foram encontrados novos casos, que atingiu o valor mais elevado desde o início da pandemia.

Uma última nota que demonstra quão complicado é conter a doença: depois do foco de Reguengos de Monsaraz ter sido controlado, voltaram a ser registadas novas infecções.

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