Portugal e Itália fora do topo da tabela da COVID-19. Mas por quanto tempo?

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Passaram mais duas semanas, mas é como se estivéssemos a ver o tempo a regressar a Abril. Depois da acalmia do verão, eis que a pandemia está de volta em força. Tristemente, como tinha sido previsto pelo epidemiologistas.
No resto do mundo, os comportamentos divergem:

  • No continente Americano, enquanto o número de casos aparenta estabilizar na América do Sul, nos Estados Unidos a pandemia grassa agora pelo Midwest, previamente na altura em que o presidente americano luta contra a doença. O continente Americano lidera o número de infecções per capita desde Maio.
  • Na Oceania, os números têm agora uma tendência de descida, mas por razões diversas. Na Austrália e Nova Zelândia, medidas apertadas foram aplicadas e começam agora a ser relaxadas.
  • Em África… África é agora uma enorme incógnita, uma vez que não é claro porque o continente não está a sofrer um aumento calamitoso do número de infeções, se excluirmos a África do Sul. O facto de que a faixa etária mais afectada ser residual neste continente, com a pouca capacidade de testagem pode simplesmente indicar que a infeção está descontrolada, mas que ninguém sabe, devido ao baixo número de vítimas fatais.
  • Na Asia, enquanto a China resistir, os números são subirão de forma significativa. E a China fará literalmente tudo o que lhe for possível para resistir a uma segunda vaga, para a qual ainda não está preparada. Até poder vacinar em massa.
Novos casos por 100 000 habitantes por continente.
Fonte: European Center for Disease Prevention and Control
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Voltando à Europa, parece que voltamos às más semanas de Abril, onde os hospitais de Madrid estavam à beira (ou já para lá) do colapso, e os números em França e Reino Unido pareciam não nunca parar de subir.

5 meses depois, a aqueles que não aprenderam com o passado, aqueles que não se prepararam e aqueles que não aprenderam com os erros dos outros vêm agora a segunda vaga a bater-lhes à porta.

Esperemos não estar em nenhum destes.

Novos casos por 100 000 habitantes nos países da EU.
Fonte: European Center for Disease Prevention and Control
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Mas não. Espanha, um dos países mais massacrados da Europa pela COVID-19, parece não ter aprendido nada com o seu sofrimento da primavera, e lidera novamente o número de infecções per capita em toda a união Europeia.

Curiosamente, praticamente os mesmos países europeus que mais infecções sofreram na primeira vaga, estão agora novamente perto do topo. Nomeadamente França e Holanda, dois dos 5 países Europeus mais afectados, estão novamente no mesmo grupo. Estes, juntamente com a Espanha, e um pouco mais atrás, Bélgica constituem o grupo dos países que parece nada ter aprendido na primeira vaga.

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O outro país que fazia parte do TOP5, o Reino Unido, ainda está umas duas semanas atrás da França e da Espanha, mas não está a fazer nada de significativamente diferente. Apenas está atrasado.

O país que esteve nas primeiras páginas de todo o mundo, e que sofreu das taxas mais elevadas de fatalidades, a Itália está a passar ao lado desta segunda vaga. Não que esta não a irá atingir, mas aprendeu com os erros da primeira. Apresenta agora dos indicadores mais baixos de toda a Europa.

A novidade está nos países que não aprenderam com os erros dos outros. Muitos dos países mais a leste praticamente passaram pela primeira vaga praticamente sem verem um número significativo de casos. Áustria, República Checa, Polónia, Roménia, todos estes países conseguiram confinar-se atempadamente. No entanto, talvez o tenham feito demasiadamente cedo, sem que a população tenha percebido qual foi o valor desse confinamento, e sem que tivessem percebido o tempo que ganharam em fazê-lo. Mas para que esse tempo tenha valor, é preciso tê-lo usado para dotar o sistema de saúde para a segunda grande vaga.

Em encabeçados pela República Checa, muitos destes países não aproveitaram a oportunidade. A República Checa é actualmente o segundo país da Europa com maior número de casos per capita.

Novos casos por 100 000 habitantes em alguns países da OCDE.
Fonte: European Center for Disease Prevention and Control
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Usar a métrica do número de novas infecções só é útil para comparar países, se todos tiverem a mesma capacidade de testagem. É a variação nesta capacidade que explica algumas das disparidades.

Alguns dos países acima partilham uma característica em comum: um número constante de novas infecções, mas um número relativamente elevado. Neste grupo estão alguns países mais a leste: Bósnia, Roménia, Bulgária, Polónia e Croácia.

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Fatalidades diárias 100 000 habitantes em alguns países da OCDE.
Fonte: European Center for Disease Prevention and Control
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Se comprarmos o número de fatalidades com o número de infecções, podemos concluir que algo não está bem. Há muito mais fatalidades que aquelas que seriam de esperar, resultando numa taxa de mortalidade por infecção elevada. É este o caso da Bósnia, Bulgária, Croácia, Polónia e especialmente da Roménia.

Estes foram os países que não se prepararam com os erros dos outros, onde não foram criadas as condições para se testar maciçamente a população e que estão agora a pagar a factura. Quando a propagação se dissemina pela comunidade, e não se conseguem fazer testes suficientes não é possível saber onde estão os infectados. A estes países só resta um novo confinamento para limitar a progressão.

Não o fazer resulta naquilo que está a ocorrer na Roménia e na Bósnia, onde se o número de mortes na primeira vaga foi baixo, a uma cadência de 0,2 mortos diários por 100.000 habitantes, certamente fará cavalgar para o topo da tabela dos países com maior número de fatalidades.

A estes, rapidamente se juntará a República Checa, e a inexorável Espanha.

E por cá?

Portugal conheceu a segunda vaga logo a seguir a Espanha, mas conseguiu com que os números não explodissem. Se comparamos os números da última semana com os do Reino Unido, eles são muito similares, quer em número de infecções, quer em número de mortos. A diferença está no grau dessa subida, e no atraso.

Portugal está duas semanas à frente do Reino Unido e da maioria dos países de leste, e o seu perfil de crescimento é bem mais baixo. Isto não significa que a segunda vaga irá passar ao lado. Significa sim que o próximo inverno pode ser desastroso nesses países, e apenas mau em Portugal. Se comparar-mos com a primavera passada, onde Portugal estava no Top 10, apenas está no Top 10 a contar do fim, e a tendência é para descer.

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Novos casos por 100 000 habitantes por região administrativa.
Fonte: DGS
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A subida dos valores em Portugal tem sido constante desde 22 de Agosto. Apesar do que possa parecer, isto não é uma má notícia. Aquilo que seria expectável seria uma progressão geométrica, onde os valores da semana seguinte seriam um múltiplo da semana anterior. É isso que está a acontecer em França, Reino Unido, Espanha e em alguns países de leste.

Por cá, a subida é constante, o que permitirá um fluxo constante para os cuidados de saúde, o que permitirá tomar medidas com base na previsibilidade da evolução da pandemia.

Essa subida é neste momento liderada pela região de Lisboa e Vale do Tejo. No entanto, os indicadores desta região parecem ser estabilizado, em valores elevados, mas constantes. Mais uma vez, o valor nominal não é o mesmo importante, mas a variação do mesmo.

De qualquer forma, e ao contrário da região de Lisboa, quase todas as restantes regiões do país registaram subidas muito significativas, nas últimas três semanas.

Fatalidades por 100 000 habitantes por região administrativa.
Fonte: DGS
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Uma das características dos países que se prepararam para a segunda vaga, é a melhorada capacidade de testagem. Se considerarmos que a região de Lisboa tem praticamente mais 50% de infectados que a região Norte, seria de esperar que os mortos fossem na mesma proporção.

Na realidade isso não acontece. Não acontece porque tenha sido descoberto um tratamento especialmente eficaz, mas sim porque agora temos uma noção muito mais precisa do real número de infectados. Não que isso signifique que todos os infectados estejam a ser detectados, mas que a proporção daqueles que são detectados é agora muito superior à que aconteceu na Primavera.

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Taxa de mortalidade por caso conhecido (CFR)
Fonte: DGS
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Esta hipótese é demonstrada pelo comportamento da taxa de mortalidade por infecção.

Se considerarmos que a doença tem uma taxa de mortalidade que é essencialmente constante dentro de uma população, então quando se verifica uma variação dessa taxa, isto significa habitualmente que ocorreu uma variação na detecção dos infectados. Neste caso, quando menor for a taxa, maior é a percentagem de infectados detectados, como tem vindo a acontecer desde agosto.

Em sentido oposto podemos verificar como durante a primavera a deteccao de casos era realmente baixa, especialmente nas regiões do Norte e Centro.

Olhando agora para o detalhe, vemos a continuação do movimento das últimas semanas, de focos em municípios do Norte. Desta fez, é o caso de Bragança (causando por um único surto que varreu várias instituições), Lousada e Paços de Ferreira.

Logo a seguir, com a excepção de Loures que aparece logo em terceiro lugar, os municípios densamente populados da região de Lisboa, nomeadamente Loures, Odivelas, Sintra e Lisboa.

A grande novidade desta semana, é o município do Porto, que desde a primavera que não era palco de transmissão significativa, mas que na semana passada se aproxima do TOP 10, algo que já não acontecia desde Abril. Com a progressão da pandemia, será natural ver que todos os municípios mais densamente populados ocupem todos os lugares cimeiros.

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Nos municípios com maior número de casos activos per capita, encontramos ainda o surto de Bragança, que faz com que este indicador dispare nesse município, bem como no município de Ourém pela mesma razão.

Todos os restantes casos do topo são novamente os municípios de Lisboa onde a propagação tem-se mantido constantemente elevada, nomeadamente, Loures, Sintra, Lisboa e Odivelas. Nestes concelhos, e nos transportes públicos que os servem , mais que em qualquer outros, é altamente recomendado o uso de máscara sempre que se saía de casa.

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