O défice de 2%: O bom, mau investimento e o emprego.
Então, porque este factor não foi tido em conta? Simples. Contradiz a teoria económica que nega os efeitos positivos da melhoria do mercado interno e do consumo. O que se viu em 2016 face a 2015, é que o emprego criado em 2016 foi diferente do emprego criado em 2015, tendo o de 2015 gerado um aumento das receitas da Segurança Social de apenas 378M€, confirmando a teoria que grande parte do emprego criado até 2015 foi de baixo rendimento (tipicamente ao nível do ordenado mínimo).
Ainda mais curioso é a escala da correcção do investimento face à previsão de setembro sobre o défice. Os 0.6% correspondem a cerca de 1100 M€ que é ainda superior quer ao impacto do emprego, quer à redução do investimento, de onde não ser percebe de onde a previsão original de 2.6% foi obtida.
O investimento público
Mas vamos voltar para o investimento. Será que a redução do investimento público é negativa ou positiva ? Aparentemente, depende de quem o faz. Mais uma vez, vamos citar o CFP:

Evolução do investimento público. Fonte: CFP
Ora, e com a excepção do ano de 2015 (e do défice de 4.4%), o investimento público tem descido de forma consistente desde 2010, ano da entrada da Troika. Daqui vêm as mesmas perguntas: há bom investimento público? Quando é que a redução do investimento público é positiva ou negativa?
Um leitor dotado de senso comum deverá pensar: “depende naquilo em que se investe”. No entanto sobre a qualidade do investimento realizado nem o CFP nem o Jornal de Negócios versaram, sendo que a leitura do Jornal de Negócios é especialmente deturpadora da realidade.
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