Brasil ultrapassa Portugal em fatalidades per capita

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Após semanas de avisos, ignorados pela presidência, a chaga da Covid-19 mata 4 em cada milhão de brasileiros por dia, ultrapassando a mortalidade em Portugal.

Portugal conta pouco para o mundo, mas é curiosamente um dos faróis mais brilhantes para os nossos irmãos brasileiros quando procuram orientação. Isto deveria encher os lusitanos de orgulho, não fosse o facto de que durante a pandemia de Covid-19 essa comparação tenha sido usada para mentir, deturpar e causar mortes. Até há poucos dia, podia-se ver com frequência nas redes sociais, mensagens que comparavam os valores de fatalidades por Covid-19 de alguns países, comparando-os com o do Brasil. O Brasil, com os seus 212 milhões de habitantes tem mantido um nível de fatalidades per capita relativamente baixo, como acontece inicialmente em todos os países com grande população. A demonstração deste efeito viu-se durante a devastação ocorrida em Nova York, onde apesar de ser o local com mais mortes per capita do mundo, ainda hoje tem menos de metade das fatalidades per capita do Reino Unido, ou da Itália.

Gráfico 1 – Média semanal de fatalities por por 100 000 habitantes em alguns países europeus e Brasi.
Fonte: Worldometers, DGS, Ministério da Saúde Brasileiro

De facto, nesses países com grande população, e apesar de muitas vezes apresentarem milhares de portos por dia, demora bastante tempo até que outros indicadores relativos à população reflitam a escala do problema. Outra característica desses países, é que os pontos de grande propagação da doença vai migrando das grandes cidades para as cidades mais pequenas. É precisamente esse efeito que estamos actualmente a ver nos Estados Unidos, onde depois de grassar por Nova York, está agora presente nas cidades mais pequenas de todos os 50 estados.

Durante semanas, enquanto o presidente Bolsonaro ignorava, a doença foi-se propagando entre os bairros de classe média alta de São Paulo e Rio de Janeiro (embora essencialmente em São Paulo) onde taxa de propagação se foi mantendo limitada. Ora, esses são precisamente os bairros onde os habitantes têm acesso aos melhores cuidados de saúde, o que limitou também o número de fatalidades (vide gráfico 1). Esta situação poderia ter continuado durante bastante tempo, uma vez que as classes mais baixas não viajam habitualmente para os focos de infecção, nos Estados Unidos e Europa. Até que o inevitável acabou por acontecer.

E aqui chegamos a hoje

Gráfico 2 – Fatalidades por Covid-19 por 100 000 habitantes em alguns países europeus e Brasil
Fonte: Worldometers, DGS, Ministério da Saúde Brasileiro

 

Umas das características das casas de classe média e alta é a presença de governantas e outros trabalhadores domésticos, e entre essas aquelas que em vez de residirem nas próprias casas onde trabalham, residem nas favelas. Foi só uma questão de tempo, até que uma dessas pessoas levar a doença para os baixos mais pobres, e a partir daí a disseminação da doença pelos mais pobres foi como um fósforo numa savana seca.

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Um dos argumentos dos mais imbecis que navegam nas redes sociais, é que estaria tudo bem no Brasil, uma vez que estaria melhor que Portugal. Ora, isto ignora o facto de que o Brasil estava semanas atrasado na progressão da pandemia em relação à Europa e Estados Unidos. Ignoram também que o Brasil ainda está muito longe do pico da curva epidémica, e que a partir daqui é uma descida rápida pelos vários pisos do purgatório.

O Brasil atingiu hoje o valor de 14.14 por 100 000 habitantes, ultrapassando Portugal com 14.08. Não só o valor actual é mais elevado, como a “velocidade” a que as fatalidades estão a acontecer é de tal forma mais elevada, e como se pode verificar no gráfico 1, este valor ainda está na curva ascendente, o que vai fazer com o que o Brasil não só ultrapassar Portugal, como chegar ao top 5 numa questão de semanas.

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