Mais uma semana de pico em Lisboa. Amadora é agora o local com maior risco de se cruzar na rua com um infectado.

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Novas infecções por 100 000 habitantes nos 7 dias anteriores.
Fonte: DGS e cálculos próprios.
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Mais uma semana volvida, mais uma semana em torno do pico que está a ocorrer na região de Lisboa. Efectivamente, se olharmos para o gráfico à direita, todos os 14 dos 15 municípios com mais novos casos per capita estão na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Mas olhemos primeiro para o fundo da tabela. A parte mais significativa é precisamente que 18 dos municípios com mais de 100 casos até à data, não apresentaram nenhum novo caso nos últimos 7 dias, todos eles a norte de Aveiro, incluíndo Aveiro. Isto não significa no entanto, que a pandemia deixou de se propagar na região norte. Significa sim que em alguns dos municípios onde a provação foi inicialmente mais grave conseguiram de facto estancar a sua propagação. Noutros, como o caso de Lousada, Vizela ou Ílhavo, a propagação ainda está a ocorrer, mas agora com um número de casos significamente mais baixo que no passado.

Existem no entanto, novos municípios que não estavam nesta lista, e que entretanto não só superaram os 100 casos, como mantêm uma taxa de propagação significativa. Estes são os casos de Mafra, Santarém e até de certa forma, Setúbal. Em comum, todos estes municípios têm um vínculo muito estreito à região de Lisboa, e que na verdade fazem mesmo parte da região de Lisboa e Vale do Tejo, mas são também os mais afastados da cidade de Lisboa. Em comum têm também o facto de que os transportes públicos para Lisboa não estarem congestionados, como acontece com as linhas de Sintra ou de Cascais. É de notar, que os comboios que servem Santarém e que chegam a Lisboa não param nos outros pólos de propagação da doença.

E podemos finalmente chegar ao topo da tabela, ou neste caso, ao topo do gráfico. E se poder analisar em maior pormenor é necessário tombá-lo e acrescentar alguns dados históricos.

Novas infecções por 100 000 habitantes nos 7 dias anteriores nos 28 concelhos com mais casos
Fonte: DGS e cálculos próprios.
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O gráfico acima está ordenado pelo número de infecções por 100 000 habitantes nos últimos 7 dias, exactamente correspondente ao primeiro gráfico. Uma das análises mais importantes que se podem fazer é a evolução propagação da pandemia nestes concelhos:

  • Os concelhos onde a propagação não é elevada esta semana, mas que eram na passada semana. Este é o caso de municípios com Moita, Cascais, Mafra, Barreiro, Montijo, Vizela ou Ílhavo. Nestes concelhos a taxa de propagação foi significativamente reduzida, tendo sido atingido o seu pico na semana anterior.
  • Os concelhos onde a propagação já era elevada, e subiu ainda mais. Este é o caso de Loures, com a maior subida, Amadora, Odivelas e até Lisboa, que até agora tinha apresentado valores bastante estáveis. Em maior detalhe:
    • Amadora ainda apresenta um valor acima das 111 novas infecções por 100 000 habitantes em linha com o valor apresentado na semana passada. Representa 13% de todos os novos casos no país.
    • Loures atingiu também o valor de 111 novas infecções por 100 000 habitantes. Este valor representa uma subida de 30% em relação ao valor da semana passada, ultrapassando o concelho de Sintra. Representa 15% do total de novos casos do país.
    • Sintra baixou dos 99 novos casos por 100 000 habitantes para os 84. Mesmo assim, e devido a ser o segundo concelho mais populoso, corresponde a 22% do total nacional de novas infecções.
    • Odivelas e Vila Franca de Xira mantiveram-se estáveis, com uma subida ligeira, em torno dos 75 e novos casos por 100 000 habitantes.
    • Lisboa também sofreu uma subida dos anteriores 45, para os actuais 50. A grande alteração em relação a Lisboa, é que actualmente se encontra no 6º lugar dos concelhos com maiores taxas, quando na semana passada estava no 10º lugar.
  • Dos concelhos com maior propagação, apenas Sintra e Oeiras apresentam evoluções negativas da propagação.

Isto significa que não só o grosso da propagação da pandemia em Portugal está concentrada na região de Lisbon e Vale do Tejo, mas mesmo dentro da região essa propagação não é uniforme e ocorre em municípios específicos, nomeadamente, Amadora, Loures, Sintra, Odivelas, e Vila França de Xira.  Estes 5 municípios são responsáveis por 64% de todos os novos casos nacionais, e com a excepção de Sintra, não só correspondem aos de maior propagação, como a velocidade da propagação ainda aumentou na última semana. A fazer crer nestes números, a situação nesses municípios ainda não está controlada, podendo no entanto ter sido atingido o pico da propagação.

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… E no entanto estamos longe do que aconteceu na região Norte

Há uma diferença qualitativa no que está a acontecer na região de Lisboa e Vale do Tejo: quem são os infectados. Na região Norte, e tendo em conta que a taxa de fatalidade excedeu os 4%, pode-se calcular que apenas 25% dos infectados foram correctamente detectados. É isso que explica que ainda hoje estejam a ocorrer cadeias de transmissão. Não só os casos detectados foram uma fracção dos reais, como a faixa etária era a mais vulnerável: os idosos em lares.

A transmissão que está agora a ocorrer na região de Lisboa, grassa entre uma população em idade activa, e cuja detecção está a acontecer por testes em massa em empresas que detectaram um ou mais casos com sintomas. O resultado desta diferença é o número de fatalidades. Na região Norte, morreram até hoje, 22 pessoas por 100 000 habitantes, enquanto que na região de Lisboa está agora nas 12 fatalidades por 100 000 habitantes.

E o risco de andar na rua?

No final do dia o que se pretende saber é se é segundo andar na rua, ou entrar um espaço comercial, pelo risco subjacente a se atravessar com alguém que possa estar infectado, mesmo que não o saiba.

Infecções activas por 100 000 habitantes.
Fonte: DGD e cálculos próprios.
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Podemos calcular o risco de nos cruzarmos na rua com um indivíduo infectado, calculando o número de pessoas que já estiveram infectadas, mas cujo tempo depois do conhecimento da infecção já ultrapassou os 28 dias.

Actualmente, é agora a Amadora o concelho com mais casos de infecções activas per capita. Isto ocorre, apesar do aumento de infecções no concelho de Loures, e porque as infecções nesse concelho já vinham a ocorrer há mais de um mês. Por outro lado, as infeções no concelho da Amadora têm sido mais recentes, não tendo dado tempo às pessoas de recuperem da doença.

É essa também a explicação pela qual concelhos como Vizela e Lousada terem descido mais de 10 lugares neste ranking. De resto, a ordenação dos concelhos com mais infecções activas não sofreram alterações significativas: Amadora, Loures, Sintra, Odivelas e Vila França de Xira.

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