Comunicação social no seu pior: Como a tolerância de ponto num dia reduz o trânsito noutro, segundo SIC.

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Spread the love          Nota do autor: sou contra a tolerância de ponto, mas sou ainda mais contra a falta de idoneidade da comunicação social. Aqui há uns meses coloquei em causa a idoneidade da comunicação social em Portugal, na sua incompetência em ser imparcial, objectiva e ter como principal propósito informar. Desde há uns dias que essa mesma comunicação social decidiu fazer-nos o favor de demonstrar que estava totalmente certo. Ora a notícia que levou a SIC a usar cerca de 5 minutos de jornal da tarde foi “Menos movimentos em Lisboa devido à tolerância de ponto”. Ora, estava eu à espera de números interessantes do IMTT sobre como o Carnaval reduz o trânsito nas estradas, ou como a atividade económica é reduzida nesta altura. Mas nada disto. A notícia versava de como o facto de que dar tolerância de ponto a uma terça-feira (como é o hábito no Carnaval) ter provocado com que o transito tivesse reduzido em Lisboa e em particular para alguns entrevistados relevantes para o tema: donos de cafés e taxistas. Ora se já começaram a ver quão estúpido isto é, vai aqui um apanhado de perspectivas diferentes sobre a estupidez: A notícia foi dada no dia 8 …

A deturpação dos sistemas uninominais na representatividade do voto popular: UK vs Grécia

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Spread the love          Nota prévia: em Portugal é usado o sistema de Hondt, frequentemente alvo de críticas, em particular no que diz respeito à falta de representatividade dos pequenos partidos. Esta falta de representatividade não é nada comparado com os casos que serão descritos. Quando em janeiro desde ano foi atribuído ao sistema eleitoral grego grande parte do resultado do SYRIZA, uma vez que atribui um “bonus” substancial ao partido vencedor, e impõe uma votação mínima para poder entrar no parlamento. Passados poucos meses, já ninguém se importa com as deturpações dos vários sistemas eleitorais, e chovem felicitações à direita e à direita de vitórias expressivas alanvacadas por essas deturpações. É no Reino Unido um dos casos mais graves de deturpação da vontade popular, de tal forma que faria Tsipras corar de vergonha. Vamos então comparar os dois casos. O Caso Grego As eleições gregas obtiveram o resultado final que pode ser resumido neste gráfico: À partida não se vislumbram grandes discrepâncias nos resultados: o partido mais votado obteve mais assentos, cada partido consecutivamente com menor número de votos obteve menor número de assentos, de uma forma mais ou menos proporcional. Podemos também ver que o número de votos necessários para garantir …

A desinformação da informação social: A patranha da lei da cobertura jornalística das eleições

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Spread the love          Imaginem esta história… É uma história muito mais rebuscada que O Príncipe, ou mais maquiavélica que a personagem de Kevin Spacey. Imaginem um país regido e protegido por uma constituição que promove a liberdade e a igualdade de direitos, deveres e oportunidades. Não precisam de imaginar, basta abrirem os olhos, é Portugal. Imaginem que nem toda a gente percebeu o significado de igualdade de oportunidades, e por isso foi criada uma lei, que no essencial escreve na língua do povo comum, que todos têm de ser tratados de igual forma, e em particular quando se candidatam a um cargo público. Para esta, também não precisam de imaginar muito, trata-se da lei nº26/99. Imaginem uma corporação que sempre se opôs à liberdade de escolha dos candidatos eleitorais, e prefere que seja a corporação a escolher quem ganha e quem perde eleições, bastando para isso que faça o seu trabalho de forma selectiva. Outra vez, não precisam de puxar muito pela cabeça, lembrem-se da primeira eleição de Berlusconi. Imaginem um código deontológico, que entre outras coisas versa sobre temas como “rigor” e “exactidão”, mas onde peculiarmente não versa sobre “isenção”. Curiosamente, este é um desses. Deve haver mais, mas o …

Uma história de dois mundos: os juros da dívida pública e as agências de rating

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Spread the love           Aqueles que esquecem o passado estão condenados a repeti-lo. – George Santayana As agências de rating estão no vocabulário dos portugueses desde 2009. No entanto estas agências fazem parte do conhecimento mais ou menos comum dos investidores, desde os mais iniciados até aos profissionais day traders. Mas será que o trabalho que estas agências publicam servem os investidores? Estamos em Agosto de 2014, e sim, já não precisamos de esperar décadas para ver a história repetir-se uma e outra vez, sempre pela mesma razão. Em 28 de Setembro de 2008, os ratings da dívida soberana da Islândia variavam entre o A+ da Fitch, e o A- da S&P. Estes ratings refletiam uma dívida pública de cerca de 28% do PIB e um défice orçamental de 6%, e portanto tudo aparentava estar bem: contas públicas minimamente sólidas numa economia em crescimento. Entre 29 de Setembro e 8 de Outubro, os 3 maiores bancos da Islândia tombaram de forma espetacular. A 10 de Outubro, com a entrada eminente do FMI, os ratings tinham baixado para BBB tanto da Fitch como da S&P. Este é sensivelmente o mesmo rating que mantêm desde então. Hoje (embora os últimos dados oficiais sejam de 2012), …