A história de uma escola de Arruda, os contratos de associação e as estatísticas perniciosas dos rankings dos exames do 9° ano

Spread the love
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Spread the love          O Externato José Alberto Faria obteve alguns dos melhores resultados nos rankings dos exames da região, e é dada como exemplo de boa gestão dos dinheiros públicos através de contratos de associação. Mas será que que a partir dos resultados de uma única escola se podem tirar conclusões a nível nacional? Este artigo apenas cobre a primeira parte sobre os resultados dos exames do 9° ano. Amanhã segue a segunda. Sobre a visão acerca dos exames do secundário, fica para um futuro próximo. Visto que a base de dados dos resultados é pública, aceitam-se desafios para outros indicadores. O Externato João Alberto Faria, um caso de sucesso Há 24 anos passei pelos portões do Externato Irene Lisboa pela última vez. De lá para cá, a escola mudou de instalações e de nome, para o atual Externato José Alberto Faria, em honra do seu fundador. No entanto, não é hoje a hora de rever considerações sobre a legitimidade da troca do nome de uma pedagoga fundamental da sua época ou do fundador da escola. No momento atual é mais importante analisar os resultados dos alunos desta escola face à realidade regional e nacional. Este tema veio à baila de alguns …

Aviões, Mentiras e a TAP – Como David Neeleman Poupa 3500 Milhões à custa da TAP

Spread the love
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Spread the love          Muito tem sido escrito sobre a TAP nos últimos anos, tipicamente em questões puramente laterais e frívolas, quando se chega aos temas realmente importantes, é o maior silêncio e desinformação na comunicação social. A título de exemplo, “CDS acusa Governo de ter omitido eventual entrada de capital chinês na TAP”. Ora, esta notícia, é de 14 de Fevereiro, e é estranho que na notícia que relata a estranheza sobre o capital chinês, ninguém foi capaz de comentar o facto de que tal aconteceu na realidade a 24 de Novembro, quando a HNA comprou 24% da Azul. Na realidade, a entrada de capital chinês na TAP foi precisamente nessa data, e anterior à renegociação da venda da TAP… Sobre a venda em si, na sua versão de 12 de Novembro, ainda nada foi tornado público. A venda da TAP foi uma das ações mais polémicas do anterior governo, não pelo objeto ou método da venda, mas pelo momento em que foi efetuada. No entanto, o objeto da venda, que hoje ainda não é pública (apesar das críticas feitas pelo PSD sobre a falta de informação sobre as alterações efetuadas pelo governo atual…..), sobressaem alguns detalhes que vêem aparecendo na comunicação …

Comunicação social no seu pior: Carlos Costa vai nú

Spread the love
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Spread the love          O destaque das notícias dos últimos dias tem sido um comentário de António Costa sobre o governador relativamente à falta de competência do mesmo na liderança do Banco de Portugal. Estes comentários foram então severamente criticados por um exército de  comentadores, segundo os quais António Costa coloca em causa a independência, competência e coloca em causa a estabilidade do setor bancário. No entanto, precisamos de analisar cada um destes pontos. A independência de Carlos Costa Ora, vamos de imediato para a resolução do BES. Na conferência de imprensa onde é anunciada a resolução do BES, é focado o seguinte ponto:  “Não envolve, por isso, custos para os contribuintes”. Esta frase é repetida até à exaustão, quer por Carlos Costa, quer pelos membros do governo da época. Hoje sabemos que tal não corresponde à verdade, mas ainda hoje está presente nas FAQs do Banco de Portugal. Este é um tema que não diz respeito ao Banco de Portugal, mas sempre foi um cavalo de batalha da propaganda do governo. Este alinhamento foi na realidade inaugurado três dias antes da data oficial da resolução do BES, no célebre concelho de ministros electrónico onde foi criada a legislação necessária para a resolução. …

Comunicação social no seu pior: os concelhos do Costa segundo o Jornal de Negócios

Spread the love
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Spread the love          Quando lemos um jornal e damos de caras com uma notícia cujo o autor é o director da publicação, temos tendência a dar-lhe mais importância, já que estamos a falar do seu nome mais relevante. Pessoalmente, vejo o director de uma publicação como o bastião da integridade e objetividade, alguém que garante que eventuais lapsos dos colegas jornalistas sejam detetados antes de chegarem aos olhos dos leitores. O problema ocorre quando se verifica o contrário: é o diretor da publicação que lidera o enviesamento e a falta de objetividade, factores determinantes do código deontológico do jornalista, e objectivamente leva a publicação por um caminho onde deixa de informar para seguir uma determinada doutrina política ou financeira. Para o caso de hoje temos uma notícia (não um artigo de opinião) do Jornal de Negócios sobre algo que António Costa disse sobre o orçamento de estado para 2016. Parafraseando, António Costa recomendou ao portugueses que se não quiserem custear o aumento de impostos presentes no orçamento de 2016, deviam deixar de fumar e andar mais de transportes públicos. A estas palavras seguiu-se um furor nas redes sociais, furor tal que não se tinha visto nem quando Passos Coelho recomendou aos …

Comunicação social no seu pior: como 0.0076% passam a 4%

Spread the love
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Spread the love          Se ontem a notícia focou no impacto no trânsito da tolerância de ponto na função pública, hoje a SIC presenteia-nos com algo bem mais palpável, e logo bem mais preocupante. O caso em concreto versa sobre o aumento da taxa de imposto de selo nas transações com terminais de pagamento automático. … onde são entrevistados um conjunto de comerciantes que descrevem com já estão em dificuldades financeiras, e que portando já não consegue suportar mais encargos, caso os bancos façam transpirar essa taxa os comerciantes. Não importa para hoje tentar explicar que provavelmente alguns desses comerciantes ficaram bem mais a ganhar com a redução do IVA da restauração (algo liminarmente ignorado pelo jornalista) nem o facto que é possível (mas não indiscutivelmente demonstrado) que a falta de vendas dos comerciantes se deve em grande parte à completa falta de poder de compra dos portugueses. O que importa para hoje é perceber quanto é que um comerciante paga atualmente pelo uso dos cartões de débito e crédito, e quanto passaria a pagar se essa taxa de 4% lhe for passada. Indo por partes: No que incide a nova taxa de 4%? Citando a proposta de orçamento de estado: Outras …

Comunicação social no seu pior: Como a tolerância de ponto num dia reduz o trânsito noutro, segundo SIC.

Spread the love
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Spread the love          Nota do autor: sou contra a tolerância de ponto, mas sou ainda mais contra a falta de idoneidade da comunicação social. Aqui há uns meses coloquei em causa a idoneidade da comunicação social em Portugal, na sua incompetência em ser imparcial, objectiva e ter como principal propósito informar. Desde há uns dias que essa mesma comunicação social decidiu fazer-nos o favor de demonstrar que estava totalmente certo. Ora a notícia que levou a SIC a usar cerca de 5 minutos de jornal da tarde foi “Menos movimentos em Lisboa devido à tolerância de ponto”. Ora, estava eu à espera de números interessantes do IMTT sobre como o Carnaval reduz o trânsito nas estradas, ou como a atividade económica é reduzida nesta altura. Mas nada disto. A notícia versava de como o facto de que dar tolerância de ponto a uma terça-feira (como é o hábito no Carnaval) ter provocado com que o transito tivesse reduzido em Lisboa e em particular para alguns entrevistados relevantes para o tema: donos de cafés e taxistas. Ora se já começaram a ver quão estúpido isto é, vai aqui um apanhado de perspectivas diferentes sobre a estupidez: A notícia foi dada no dia 8 …

A deturpação dos sistemas uninominais na representatividade do voto popular: UK vs Grécia

Spread the love
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Spread the love          Nota prévia: em Portugal é usado o sistema de Hondt, frequentemente alvo de críticas, em particular no que diz respeito à falta de representatividade dos pequenos partidos. Esta falta de representatividade não é nada comparado com os casos que serão descritos. Quando em janeiro desde ano foi atribuído ao sistema eleitoral grego grande parte do resultado do SYRIZA, uma vez que atribui um “bonus” substancial ao partido vencedor, e impõe uma votação mínima para poder entrar no parlamento. Passados poucos meses, já ninguém se importa com as deturpações dos vários sistemas eleitorais, e chovem felicitações à direita e à direita de vitórias expressivas alanvacadas por essas deturpações. É no Reino Unido um dos casos mais graves de deturpação da vontade popular, de tal forma que faria Tsipras corar de vergonha. Vamos então comparar os dois casos. O Caso Grego As eleições gregas obtiveram o resultado final que pode ser resumido neste gráfico: À partida não se vislumbram grandes discrepâncias nos resultados: o partido mais votado obteve mais assentos, cada partido consecutivamente com menor número de votos obteve menor número de assentos, de uma forma mais ou menos proporcional. Podemos também ver que o número de votos necessários para garantir …

A desinformação da informação social: A patranha da lei da cobertura jornalística das eleições

Spread the love
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Spread the love          Imaginem esta história… É uma história muito mais rebuscada que O Príncipe, ou mais maquiavélica que a personagem de Kevin Spacey. Imaginem um país regido e protegido por uma constituição que promove a liberdade e a igualdade de direitos, deveres e oportunidades. Não precisam de imaginar, basta abrirem os olhos, é Portugal. Imaginem que nem toda a gente percebeu o significado de igualdade de oportunidades, e por isso foi criada uma lei, que no essencial escreve na língua do povo comum, que todos têm de ser tratados de igual forma, e em particular quando se candidatam a um cargo público. Para esta, também não precisam de imaginar muito, trata-se da lei nº26/99. Imaginem uma corporação que sempre se opôs à liberdade de escolha dos candidatos eleitorais, e prefere que seja a corporação a escolher quem ganha e quem perde eleições, bastando para isso que faça o seu trabalho de forma selectiva. Outra vez, não precisam de puxar muito pela cabeça, lembrem-se da primeira eleição de Berlusconi. Imaginem um código deontológico, que entre outras coisas versa sobre temas como “rigor” e “exactidão”, mas onde peculiarmente não versa sobre “isenção”. Curiosamente, este é um desses. Deve haver mais, mas o …

Uma história de dois mundos: os juros da dívida pública e as agências de rating

Spread the love
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Spread the love           Aqueles que esquecem o passado estão condenados a repeti-lo. – George Santayana As agências de rating estão no vocabulário dos portugueses desde 2009. No entanto estas agências fazem parte do conhecimento mais ou menos comum dos investidores, desde os mais iniciados até aos profissionais day traders. Mas será que o trabalho que estas agências publicam servem os investidores? Estamos em Agosto de 2014, e sim, já não precisamos de esperar décadas para ver a história repetir-se uma e outra vez, sempre pela mesma razão. Em 28 de Setembro de 2008, os ratings da dívida soberana da Islândia variavam entre o A+ da Fitch, e o A- da S&P. Estes ratings refletiam uma dívida pública de cerca de 28% do PIB e um défice orçamental de 6%, e portanto tudo aparentava estar bem: contas públicas minimamente sólidas numa economia em crescimento. Entre 29 de Setembro e 8 de Outubro, os 3 maiores bancos da Islândia tombaram de forma espetacular. A 10 de Outubro, com a entrada eminente do FMI, os ratings tinham baixado para BBB tanto da Fitch como da S&P. Este é sensivelmente o mesmo rating que mantêm desde então. Hoje (embora os últimos dados oficiais sejam de 2012), …