As diferenças entre o pico da epidemia no Norte e Lisboa e Vale do Tejo

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Spread the love13    12    Como seria de esperar, com uma segunda vaga de propagação da Covid-19 a ocorrer na região de Lisboa e Vale do Tejo, apareceram nas redes sociais dezenas de indignados sobre porque não se fala agora de uma cerca sanitária a Lisboa, como se falou no Porto, e se fez em Ovar. Ora, uma das características da indignação das redes sociais é precisamente a falta de adesão à realidade dos números. A razão pela qual as notícias estão a aparecer em catadupa, prende-se precisamente pelo facto de que no resto do país a propagação está quase parada. Notem no entanto o quase. Na realidade, se virmos a evolução das infecções por 100 000 habitantes nos municípios com mais casos, pode-se precisamente perceber que os 3 municípios mais afectados mais afectados são todos dos subúrbios de Lisboa, nomeadamente Amadora, Loures e Odivelas, respectivamente. De facto, a grande maioria das novas infecções registadas em Portugal ocorrem nestes três municípios, Sintra e Lisboa. Então porque não se fala em isolamentos? Existe no entanto uma diferença de escala entre o que acontece agora nesses municípios da zona de Lisboa e o que aconteceu no Norte em finais de Março e inícios de Abril. …

O contraditório de como abordar a Covid-19: a Suécia

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Spread the love38    4     Este artigo deve começar pela banda sonora, neste caso, Zeca Afonso …. A alegoria da formiga no carreiro parece ser perfeita para descrever o caso sueco e como ele é importante para todo o mundo. Há 3 forma possíveis de abordar a Covid-19: Confinamento e contenção até à chegada da vacina. A abordagem seguida pela maior parte dos países Europeus e Asiáticos mais ou menos desenvolvidos. Contenção ligeira com vista à obtenção de imunidade de grupo seguida pela Suécia. Política zigzaguiante e contraditória dos países liderados por governos populistas ou apenas incompetentes, de países como os Estados Unidos ou o Brasil. Na realidade, temos apenas duas abordagens distintas, já que não ter uma abordagem não pode ser uma abordagem 🙃. Vamos então olhar para a abordagem da Suécia de contenção ligeira: Escolas e universidades abertas Lojas e comércio mantiveram-se abertos Lares e outros centros com pessoas vulneráveis foram isolados da população geral. É neste ponto onde a Suécia manteve um nível elevado de contenção Não são obrigatórias máscaras em lugares públicos nem fechados Esta abordagem, segundo a teoria do Dr. Anders Tegnell, o arquitecto da estratégia sueca, seria mais eficaz manter a sociedade e a economia a funcionar …

A primeira semana após o desconfinamento. TOP5 dos municípios com piores resultados: Vila verde, Coimbra, Ovar, Lousada, Amadora

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Spread the love4         Passou agora uma semana após o fim do período de confinamento, e entramos agora no “novo normal”. Uma normalidade onde para se evitar um recinto fechado ou transporte público é necessário ter usar uma máscara. Qualquer um que tente entrar numa agência bancária sem uma máscara a tapar a cara é impedido, para dar passagem aqueles que a usam. Portugal, como nos outros restantes países da Europa que ja ultrapassaram a primeira vaga da Covid-19, sai agora da reclusão como se saísse de um bunker depois da detonação de uma bomba nuclear. Lá fora os danos são dignos de uma obra de ficção científica: Nos Estados Unidos e em pouco mais de um mês, o desemprego subiu de menos de 4% para mais de 14%, a subida mais alta alguma vez registada, e o valor mais elevado dos últimos 90 anos. É preciso recuar até à grande depressão para encontrar valores desta magnitude. E ainda não estabilizou. O Reino Unido ainda anda a braços com a primeira vaga, já excedendo os 30 000 mortos A mortes per capita da Suécia sobem inexoravelmente atingindo agora o Top5 na UE, e sexto a nível mundial. Na Coreia do Sul o desconfinamento …

Como escolher uma máscara para os próximos 6 meses.

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Spread the love95    6    Dentro de dias vamos começar a perceber o que é o “novo normal”, onde as pessoas não se cumprimentam, não se aproximam, e mal lhes vemos a cara por detrás do novo acessório de moda: a máscara. Infelizmente a moda é trazida pela necessidade e não pela vaidade, e fará parte do nosso novo normal até pelo menos à disponibilidade de uma vacina eficaz. O que nos leva ao tema das máscaras. Em alguns países, como a Áustria e República Checa, o sucesso do combate ao Covid-19 foi em parte atribuído ao uso alargado e imediato de máscaras pela população, mas isso só é possível quando estas existem em quantidades suficientes, o que num país de 10 milhões de habitantes como Portugal, só agora começa a acontecer, e só com o recurso a produção local. De que tipos existem, qual a sua eficácia, protegem o utilizador ou também os outros, quanto custam. Uma coisa é certa: sair à rua agora tem um preço. A boa notícia é que há uma quantidade gigantesca de gente a movimentar-se no sentido de disponibilizar máscaras suficientes para a população, com qualidade certificada e com preços acessíveis. Mas nem todas são assim. Apresentação do CITEVE O …

Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas. Mas estamos preparados?

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Spread the love     1      Nunca Sérgio Godinho sonhou que esta sua música pudesse ser levada tanto à letra (for falar nisso, é só carregar em play 😉 ). Mas hoje será literal: 45 dias dias, a vida pode continuar, mas o resto da nossa vida será no “novo normal”. Mas será que estamos em condições para terminar o confinamento ? A nível nacional não existem grandes dúvidas: o número de infecções foi substancialmente reduzido, tendo atingindo um valor médio ligeiramente abaixo do 1% nos dias mais recentes, o que avaliando com os restantes países europeus que não foram martirizados pela pandemia (Austria, República Checa), corresponde ao limitar da abertura da sociedade.Taxa de infeção – média de 5 dias No entanto, temos visto nos últimos dias que o país não é uniforme no que diz respeito à distribuição da infecção. Nos últimos tempos. a taxa de infecção em alguns municípios tem sido muito mais elevada que a média do país. Usando a métrica usual do número de infecções por 100 000 habitantes, a disparidade Norte-Sul é novamente evidente. No gráfico à esquerda, os municípios tão ordenados pela latitude da sede do município, mas limitado aos municípios com mais de 100 infectados.A evolução da …

Evolução da Covid-19 nos municípios com mais de 100 infecções

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Spread the love22    3    Hoje a DGS anunciou que houve pouco menos de 200 novos casos de Covid-19 a nível nacional. No entanto os números publicados a nível municipal pintam um número muito diferente. Para começar, porque aparentam contar o número de casos activos, e não apenas os novos casos.   Olhando para a evolução dos casos por municípios, os números ficam significativamente diferentes. Para começar, nota-se que existem valores negativos, o que pode ser explicado por se referir ao números de infecções activos, e não totais. Em segundo lugar, nota-se um pico de transmissão em Vila Nova de Gaia, Loures, Matosinhos, Guimarães e Lisboa. No sentido oposto, uma redução significativa no Porto. Esta evolução dá força à opinião de alguns especialistas que a reabertura do país deve ter em conta a localização geográfica, no entanto, isto implicaria que uma quantidade significativa de municípios do norte teriam um atraso na abertura. A gritaria no espaço público seria insuportável…  

É oficial, o COVID-19 é muito mais perigoso que a gripe. A mortalidade em Nova York excede a de Itália.

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Spread the love          Agora já é oficial. Quando virem alguém comparar o Covid-19 à gripe, já podem chamar de ignorante, usar a opção “Ocultar tudo” do Facebook ou simplesmente virar as costas. No passado dia 17 a Bélgica tornou-se no país com maior taxa de mortes per capita por Covid-19. Nessa data atingiu as 42 mortes por cada 100 000 habitantes, ou 0.0042% da população total. Esse número desde então subiu para as 52 mortes ou 0.005% da população total. Este valor é fundamental porque coloca um patamar mínimo na taxa de fatalidade da Covid-19, e podemos e entendê-lo da seguinte forma: se a Bélgica tivesse atingido a imunidade de grupo, este teriam sido as fatalidades necessárias para tal ser atingido. Ora, é obvio que amanhã haverão ainda novas infecções e novas mortes, pelo que sabemos à partida que este valor está errado, mas no entanto marca o valor mínimo, que será actualizado todos os dias. Entra o estado de Nova York. Estado de Nova York regista hoje o trágico registo de 101.2 mortes por 100 000 habitantes, ultrapassando a Bélgica. Este valor é tão mais importante quando comparado com a mortalidade provocava pela gripe em todos os Estados Unidos. Ora, o gráfico é …

Não há nenhum problema no Norte. O problema é no Porto. Infecções per capita nos maiores municípios.

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Spread the love204         Quando Rui Moreira veio para a praça pública indignar-se sobre a notícia da TVI sobre o número de infecções no Norte, fê-lo como representante do norte. Não que o Norte o tenha nomeado como representante, o que causou grande estranheza junto de outros autarcas do Norte. No entanto, a indignação de Rui Moreira tinha um objectivo particular: desviar a atenção do Porto, e centrar as notícias em toda a zona Norte, diluindo os resultados do distrito do Porto. Se partirmos o problema por município aparece uma imagem que é muito distinta daquela que havia anteriormente.   De facto, se olharmos para a tenção para os dados agregados por município, sobressaem um conjunto muito interessante de detalhes: No top 15 de infecções per capita estão 9 municípios do distrito do Porto 14 dos 18 municípios do distrito do Porto estão no topo dos municípios com maior taxa de infeção A taxa de infecções no Porto é mais que o dobro da de Lisboa É portanto claro que não há um problema no Norte. Havia um problema em alguns municípios do distrito de Aveiro, e um enorme problema no distrito do Porto, onde, aí sim, Rui Moreira tem grande responsabilidade política. Este facto tem …

Bélgica é desde hoje o país mais afectado pelo COVID-19. O que acontece quando o lockdown não é respeitado

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Spread the love35         Alguma coisa correu mal na Bélgica. A Bélgica reconhecidamente reagiu algo tarde à pandemia do Covid-19, e apenas implementou medidas de contenção no dia 18 de Março, quando já havia registado mais de 1000 infecções e 18 mortos. Desde essa data, passaram 29 dias, e as medidas de contenção parecem não estar a funcionar, como se pode verificar no gráfico abaixo:     Após as medidas iniciais, tudo parecia estar a correr com alguma normalidade, em linha com que esteva a acontecer noutros países, como França, Holanda e Reino Unido. Não que as coisas tenham corrido particularmente bem nesses países, mas não estavam ao nível de Espanha ou Itália. As coisas começaram a pender para o pior em torno do dia 9 de Abril (o que tendo em conta o tempo médio entre a infecção e a fatalidade, corresponderam a infecções em torno de 21 de Março) quando os números começaram a disparar. E tal tem acontecido desde então, a um ritmo superior ao da Espanha ou Itália se tivermos em conta a população de cada um dos países, até à meia noite de ontem, onde o número de fatalidades por cada 100 000 habitantes atingiu as 42, …

Pestilência, iliteracia ou apenas azar? Algo está a correr mal no Norte e Centro, e a curva está quase plana

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Spread the love          Na última publicação já tinha levantado o tema dos maus resultados que a zona norte estava a apresentar em relação ao resto do país. Na realidade, o problema não é apenas na zona Norte, a zona Centro também está com problemas, e talvez igualmente graves. Vamos ver os gráficos: A zona norte sempre apresentou uma maior taxa de infecções per capita que o resto do país, o que pode ter várias razões. Mas esse não é o problema. O problema é que o Norte continua a subir a taxa de infecções a uma velocidade muito maior que o resto do país (com excepção do Alentejo, mas com valores muito mais baixos). Nos próximos 5 dias, com o avançar do tempo após o período da Páscoa, será natural observar um aumento da taxa de infecções, mas esperemos que episódios como este não voltem a fazer disparar as infecções no Norte. O Norte não está isolado no que diz respeito a problemas: Não só as região do Norte tem mais infecções, como a taxa de fatalidades por habitante excede a de qualquer outra região. Na verdade é três vezes superior à média nacional. No entanto a zona Centro também apresenta um valor que …