O efeito dos círculos uninominais: Eleições Francesas e Inglesas em 2017

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O sistema eleitoral português como todos os seus defeitos era, em 2015, um dos mais representativos do mundo ocidental. Quando comparado com os resultados das eleições gregas ou inglesas ocorridas em 2015, o sistema portugês consegue que os lugares na assembleia se aproximam com uma margem de erro próximo dos 5% do voto popular. É com esta margem de erro, numa democracia parlamentar que hoje existe um governo que não é formado pelo partido mais votado, mas que mesmo assim consegue representar a vontade popular. 2017 ofereceu-nos uma nova oportunidade de avaliar como os sistemas eleitorais de outros países reproduzem a vontade popular. Eleições legislativas Francesas Para a avaliação das eleições legislativas francesas de 2017 vamos apenas olhar para o voto popular da primeira volta, com os resultados globais obtidos na segunda volta. A razão pela qual e feita esta distinção prende-se com o próprio sistema. No sistema francês, todos os círculos são uninominais, mas o vencedor é apenas decidido quando um dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos, mesmo que para isso seja necessário uma segunda volta com os dois candidatos mais votados. Desta forma, o voto da segunda volta não é representativo da vontade popular, uma vez que …

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A evolução sectorial do mercado de emprego 2011-2017

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A que sectores se deve a recente subida do emprego? Deve-se tudo ao turismo? Ou pelo menos qual é o papel do turismo na recuperação do desemprego? Houve outros sectores com ganhos significativos em emprego? Este é o segundo artigo sobre a evolução do mercado de trabalho dos períodos troika e pós-troika. O primeiro versou sobre o emprego que aufere o ordenado mínimo antes e depois de 2015. O INE anunciou recentemente que deixaria de publicar dados sectoriais da evolução do emprego, porque entente que os dados de um mercado tão pequeno como o português não oferece fiabilidade nos números para terem valores estatísticos. Fiáveis ou não (tendo em conta que por exemplo não é possível distinguir o emprego na restauração do emprego da hotelaria), ainda estão disponíveis no Eurostat para consulta, e pode ser usados, tendo em conta a possível falta de fiabilidade. Nos últimos anos, o mercado de trabalho sofreu movimentos violentos, num volume que chegou a atingir cerca de 10% da força de trabalho por conta de outrem (3,8M de pessoas) num período de 5 anos. No entanto, essa variação variou consoante as àreas económicas, quer no seu movimento descendente como no movimento ascendente, e para algumas áreas …

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Usar fundações desconhecidas para atirar números

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Há alguns dias, a Sic Notícias divulgou uma notícia muito peculiar, intitulada “Há cada vez mais jovens a sair do país“, cuja fonte seria uma “Fundação Empresarial de Portugal”. Ora, nada nesta notícia parecia normal, ainda sequer sem ouvir a peça: Não existe um jornalista responsável pela notícia Não existe uma “Fundação Empresarial de Portugal” Não existe fonte, nem associação ao estudo citado. Tudo isto cheirava a esturro, e ainda não tenha ouvido a “notícia”. Na notícia ficamos ainda mais esclarecidos, ou não: não são citados números objetivos dos jovens que saem, apenas uma breve menção sobre os “jovens” entre os “30 e os “39” anos com ensino superior que saem de Portugal para irem trabalhar fora. Nada é dito como se comparam esses números com os dos anos anteriores, mas apenas que é feito com base num “inquérito internacional”. Será que foi o segundo ano em que o inquérito é feito para se poder dizer que “há cada vez mais” ? Nada é dito. Fomos procurar essa dita fundação. Como se costuma dizer, se não existe no Google, é porque não existe. Ainda mais estranho é que essa fundação só é encontrada nos sites da Sic, e em alguns sites …

O défice não foi atingido à conta dos impostos – A evolução das receitas do estado 1995 – 2016

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Um dos temas aquando da discussão do orçamento de estado para 2016 estava relacionado com a carga fiscal total, e em particular se esta se manteria ou subiria, em % do PIB. Agora sabemos como ficou… Para começar, é necessário perceber o que se entende por carga fiscal, que para o INE, significam todas as receitas do estado pagas directamente quer pelas empresas, quer pelos cidadãos individuais. Significa isto que as receitas da Segurança Social, Caixa Geral de Aposentações, Impostos directos e Indirectos, estão incluídos, mas receitas das empresas públicas, das participações e receitas de investimentos, bem como da venda de activos não estão incluídos. Esta distinção é importante para perceber o papel que a Segurança Social tem vindo a ter as últimas décadas no equilíbrio das contas do estado, e no futuro até se poderia mostrar como tem sido crítica na manutenção da dívida pública. Vamos então aos números em bruto, com a distribuição das receitas do estado:

A falácia do IRC: quanto as empresas do PSI-20 pagam de impostos

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A taxa nominal de IRC em Portugal para os anos de 2016 e 2017 é de 21%, no entanto nenhuma empresa paga os 21%, por uma razão ou outra. Como para a maioria dos temas, é necessário usar uma referência, também como na maioria, vamos usar o conjunto das empresas do PSI-20 para analisar qual é o nível da taxação que estas empresas têm. Daqui é ainda necessário notar que o valor total dos impostos pagos não está limitado ao IRC, mas engloba outros tais como a contribuição sobre o sector energético (CESE) ou impostos pagos em países terceiros. Grande parte das empresas não distingue o valor pago nas diversas componentes fiscais, pelo que aqui são apenas apresentados os valores globais. Além do IRC, as empresas com lucros superiores a 35 M€ estão ainda sujeitas à derrama estadual no valor de 7%.

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O défice de 2%: O bom, mau investimento e o emprego.

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Os 2% do défice de 2016 continua a causar incómodo em todos os quadrantes: partidos políticos, instituições europeias, entidades independentes e … jornais económicos. E todos por uma boa razão: todos disserem que era “matematicamente impossível”. Depois das previsões falhadas, cada uma dessas entidades começou a percorrer o caminho do purgatório no sentido de provar que as previsões até não estavam erradas, o caminho é que foi diferente. … e até foi, mas não forma como vem sendo a ser descrito. Entre os primeiros a tentar justificar a falha nas previsões encontra-se o Concelho das Finanças Públicas (CFP) e o Jornal de Negócios, embora percorrendo caminhos diferentes. Para o Jornal de Negócios, o valor do défice têm diversas justificações, como se pode ver no diagrama publicado: Neste diagrama, o comum leitor pode facilmente chegar à conclusão que este défice foi atingido pela redução das “Despesas de capital” de 7.701 M€ para 3.726 M€, sendo que no texto abaixo apenas é referido que o investimento público é reduzido em “perto de mil milhões de euros”. De notar que dentro da rubrica “Despesas de Capital” de 2015 inclui a medida de resolução do BANIF, no valor de 2.463 M€, o que corresponde …

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Como o emprego recém-criado se afasta do salário mínimo e da antiga política.

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Há algo que incomoda especialmente: usar estatísticas para demonstrar um ponto de vista, mesmo que a contextualização essa estatística suporte precisamente o ponto de vista oposto. Esta técnica é bastante comum em tablóides e comentadores sem escrúpulos, e é uma das possíveis razões para o surgimento do populismo: os problemas são tão por demais evidentes que existem soluções fáceis para os mesmos… Pois este é o caso da última entrevista a Pedro Passos Coelho, como este excerto demonstra (bastam os primeiros 20 segundos): Ora, portanto, segundo Passos Coelho, quando em 2014 existiriam em Portugal menos de 400.000 pessoas a auferirem o ordenado mínimo, e neste momento seriam quase 1.000.000. Ora vamos primeiros às estatísticas em si, segundo a Pordata: Evolução do número de trabalhadores que recebem o ordenado mínimo Segundo os números disponíveis na Pordata, com base em estatísticas publicadas pelo Ministério do Trabalho, o número de trabalhadores que recebem o ordenado mínimo duplicou entre 2006 e 2012, fixando-se em 457 mil. No entanto, o valor citado por Passos Coelho refere-se ao último ano completo do XIX governo: 2014. Nesse ano, o número de trabalhares com o ordenado mínimo já atingiu os 707 mil trabalhadores, e não os “menos de …

Os portugueses não estavam melhor, mas agora estão, e o país também.

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Em Fevereiro de 2014, Luís Montegenro na tentativa de justificar as opções políticas do seu governo disse “A vida das pessoas não está melhor mas a do País está muito melhor“. Poderia tentar focar na capacidade de distinguir o país dos portugueses revela uma capacidade imbatível de contentorizar, faculdade que os portugueses não conseguem atingir, eu incluindo, ou ainda em tentar perceber como poderia o país estar melhor, apesar de, quando comparado com o dia em que o governo iniciou funções, indicadores como a dívida pública, o emprego, a atividade económica ou a confiança dos empresários e consumidores, todos eles estavam em muito pior estado. O PIB também, mas os erros de cálculo do PIB é provavelmente uma das causas da crise, nomeadamente dar cobertura a monstruosidades como a frase de Luís Montenegro. Ora, as estatísticas mesmo quando correctamente calculadas, podem ser a justificação para vis mentiras, bastando para tal que sejam descontextualizadas. Quando mal calculadas, são criminosas, na sua capacidade de enganar o eleitorado, mesmo o eleitorado informado, essa espécie em vias de extinção. Como medir como vivem as pessoas: Rendimento Disponível Ajustado Aquele que é para mim o melhor indicador sobre a saúde económica de um país é conhecido …

A maior conquista de Mário Soares: A liberdade de ser insultado na sua morte

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O que têm Mário Soares, Cunhal, de Gaulle e Churchill em comum? O ódio das pessoas que lhes devem a liberdade. Já depois de ter ganho a Segunda Grande Guerra, e de ter perdido as eleições do ano da sua vitória, Churchill citou um desconhecido: A democracia é a pior de todas as formas de governo, excepto todas as outras que foram sendo testadas de tempos a tempos. Não se tratou de uma profecia. No final de 1945, nem Churchill nem Roosevelt já ocupavam as cadeiras da liderança dos países que lideraram durante a guerra. Tão depressa foram a força agregadora dos seus povos, como foram os primeiros a ser rejeitados pelos mesmos, ainda assim sem grande alarido. As pessoas respeitosamente agradeceram o serviço prestado ao país. Na realidade, os povos da época tinham razão. Churchill não tinha uma visão para o pós guerra. A guerra representara toda a sua vida política desde a guerra dos Boers até à derrota de Hitler, e a reconstrução da Europa não era algo sobre o qual o eleitorado depositava a sua confiança, apesar de ser dele a expressão “Estados Unidos da Europa”. Roosevelt, não durou tanto tempo De Gaulle não teve uma sorte muito diferente. Depois da segunda viagem pela …

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Usar os rankings para comprar coisas comparáveis

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A comunicação social anualmente inunda as primeiras páginas com a mesma notícia: as escolas privadas obtêm melhores resultados que as escolas públicas. Ora, que as escolas privadas possam ser melhores que as públicas não é notícia para ninguém, até porque não vale a pena comprar o que deveria ser incomparável. Agora, será que todas as escolas privadas obtêm os mesmos resultados? E as públicas? E como se comparam as PPP da educação (colégios com contratos de associação) com as escolas públicas? Há muitas questões que valeriam a pena ser esmiuçadas, mas que nunca chegaram à comunicação social… Edit: Estão também disponíveis os rankings dos exames do 3º ciclo das escolas privadas para o distrito de Lisboa e para a área metropolitana do Porto. Os sórdidos detalhes dos rankings dos exames Assumindo a premissa que de certa forma, quanto maior for o investimento melhores serão os resultados nos exames, então os resultados globais até parecem bater certo. Esta lógica parace estar coberta pelos resultados, pelo menos a partir de uma patamar mínimo, que no estantl esta ainda acima dos valores investidos pelo estado nas escolas públicas, mas talvez esteja mais próximo dos valores dos contratos de associação. Esta métrica exclui obviamente …

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